enquanto eu não volto...

abandono o meu corpo devagar lamentando cada milésimo de segundo... alguém cuidará dele enquanto eu não volto?

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

António Lobo Xavier in Revista da Câmara dos Técnicos Oficias de Contas
Revista nº. 104 Novembro 2008
Veja a entrevista completa em:
http://www.ctoc.pt/downloads/files/1227698040_06a13_entrevista.pdf

Sexta-feira, Junho 06, 2008

Uma mensagem para alguém muito especial

Para a J e a V e também para o G que já tinha saído há mais tempo... tenho saudades vossas!

Se querem novidades a minha vida parece uma telenovela... acontecem montes de coisas emocionantes todos os dias mas bem se pode perder uns belos meses de episódios que quando se liga a tv está tudo na mesma! :o) Estou a viver com o M (tu não sabes quem é, G, não é do teu tempo) neste momento sem a filha adolescente e claro, problemática, dele. Damos imensas turras mas acabamos sempre por nos entender e eu até desconfio que são as nossas discussões que nos fazem tão unidos... costumo dizer na brincadeira que a nossa relação é uma verdadeira montanha russa... ah e como eu gosto e de emoções fortes! Ainda não estou a trabalhar e continuo a sentir-me mal por isso. Continuo a fingir que faço alguma coisa lá com o meu avô na Quinta, de quando em vez finjo um bocadinho de jardinagem para o meu irmão. Continuo a não conseguir fazer uma coisa do princípio ao fim... há sempre tantas coisas pelo caminho, tantas coisas mais importantes, sempre mais importantes, mais urgentes... portanto tenho sempre toneladas de coisas por fazer: toneladas de coisas fora do prazo para me alimentar a culpa, toneladas de coisas a passar do prazo para me deixar em pânico e toneladas de outras coisas que até não são tão importantes mas que também têm de ser feitas e que entram facilmente na competição pelo lugar de topo da minha atenção, esse lugar tão instável e traiçoeiro!
Bom... isto passa-se naquele dia da semana em que não discuti com o M, não houve nenhum escândalo para resolver entre a filha dele e a mãe, ou a filha dele e o namorado ou a filha dele e a polícia ou os tios e as tias ou a minha mãe também não ameaçou suicidar-se porque o meu irmão (sensatamente) a impediu temporáriamente de conviver com os netos durante um episódio de mania. Ah... e eu agora discuto com a minha mãe... isso é uma grande novidade! Bom... parece-me um resumo relativamente claro. Claro que continuo em psiquiatras e psicologos e terapias e antidepressivos e novas esperanças e novos alentos. Fazer o quê? Tenho de tentar. Já passei pelo prozac mas não cheguei a um mês (dáva-me sono), venlafaxina tinha o mesmo problema do cipralex e agora tou a tomar implementor e parece que me estou a dar bem. Estou outra vez com as pulsações muito baixas (hoje medi de manhã na médica e tinha 49 pulsações por minuto... édica até foi medir outra vez e deu... 47!) mas desta vez não estou a meio duma dieta a pesar 56, infelizmente voltei para os 86. Pois é! Desde que o M veio viver comigo ainda não consegui organizar a minha alimentação e isso aliado ao stress em as coisas estão cá em casa...

Por hoje é tudo.

Tenho pena de não ter dito nada mais cedo como tinha prometido. Nem sei se ainda vão ver.

Um beijinho muito grande para todos

Quarta-feira, Maio 09, 2007

Cipralex parte 3

Voltei a tomar Cipralex. Porquê? Não estou a conseguir fazer nada da vida. Não consigo concentrar-me, raciocinar, decidir...
Bem... consegui dar corda aos sapatos do gajo que fazia de mim gato-sapato e decidir voltar ao antidepressivo.
Efeitos positivos imediatos: Ainda não se manifestaram.
Efeitos positivos de acção retardada: Fico mais positiva, mais decidida, com mais vontade de fazer coisas e com o raciocínio mais claro e mais rápido.
Efeitos negativos imediatos: Bocejo de seguida... (Fogo... passo o dia todo a bocejar. Já não me lembrava desta!)
Efeitos negativos de acção retardada: Perco o meu apetite sexual... (se calhar até é melhor assim... talvez seja mais fácil manter-me longe do gajo)
Evolução ou regressão? O tempo o dirá... Mas como dizem que à terceira é de vez...

Não te disse...

Não te disse... Não consegui dizer.
Ligaste-me para quê? Perguntas como estou e passas pela minha resposta indiferente. Talvez mostrasses alguma preocupação se te dissesse, sei lá, que tinha partido um dente, um acontecimento grave que certamente iria mudar a minha vida para sempre... Mas não, não parti um dente, estou apenas triste e as minhas razões não te interessam porque para ti estou sempre triste, não há novidade aí, por isso para quê perguntar...
Não consegui dizer-te que estou decepcionada contigo e que tu és uma das razões que me deixa triste. Porquê?
Para quê dizer-te?
Não te disse... Não consegui dizer-te. Não consegui acreditar que te interessasse saber... Interessa?

Sexta-feira, Maio 04, 2007

Lose-lose situation

Agora que já percebi que, seja como for, fico sempre a perder, resta-me saber como é que vou perder menos...

Sábado, Abril 28, 2007

Ela disse-me!

Ela disse-me. Eu juro que ela me disse. Abriu muito aqueles olhos puros e enquanto eu a aconchegava no berço disse-me para não desperdiçar mais a minha vida.

Sexta-feira, Abril 27, 2007

"O gajo faz de ti gato-sapato..."
(miaaaaaaaaaauu...)

Quarta-feira, Abril 25, 2007

...já eu, devia ter morrido aos 16 (anos)!
...ao menos não foi a 17 :ob...

Peso

Morte. Até aqui a morte passava-se num curto momento. Agora está-se vivo, agora já não. Um momento claro, um momento declarado. Foi assim com o meu pai. O merceeiro chegou e disse: "O seu pai morreu." Pronto. E num momento eu vivi a morte do meu pai. Instantânea.

Hoje conheço outra morte. Arrastada. O corpo a definhar de dia para dia e a luz a esbater-se dos olhos de quem nós amamos. A minha avó morreu e uma nova morte nasceu para mim. Uma morte dolorosa e demorada que me ensinou a dar o devido peso ao pesar. Então entra o velho cliche "não há palavras..." e não há, quem sabe, sabe e pronto.

Hoje sou mais rica. Já não quero enriquecer mais.

Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

Estratégia

Qual é a tua estratégia para o sucesso? O que é que te move? Como é que enfrentas as adversidades e em que é que pensas para as ultrapassar? Tens uma estratégia ou nem pensas nisso e simplesmente fazes?
A minha cabeça tem um vírus que faz uma reformatação sempre que uma estratégia se mostra eficiente e não me permite atingir o sucesso mais do que uma ou duas vezes.
todos os dias chego a casa a chorar
todos os dias o trânsito parece que me esmaga o coração
as ondas em Carcavelos
(e se este ano tem havido ondas!)
os surfistas
(hoje os kitesurfistas)
todos os dias a acusar-me do meu suicídio
todos os dias as obras
todos os dias os sinais de controlo de velocidade
a falta de liberdade
a fiscalização sempre e sempre mais apertada
que sufoca e que nos quer tornar de dia para dia mais iguais
todos iguais
todos os dias o vento fresco arranca-me a pele porque me encosta à parede e me manda à cara que já estive viva
todos os dias me culpo pelo que fiz com a minha vida
mas todos os dias continuo a deitá-la fora
todos os dias as ondas me lembram que vivi
que antigamente podia mergulhar nas ondas
e sentir a sua força
sentir o choque térmico e sair da água a ferver
todos os dias me lembro do nadador-salvador que este ano me proibiu de entrar no mar porque estavam ondas (e eu que gosto é do mar revolto e forte)
todos os dias está tudo mais controlado e limitado
não se pode isto e não se pode aquilo e não se pode e não se pode
todos os dias se pode menos
mas todos os dias choro porque todos os dias podia ter feito alguma coisa e não fiz nada e amanhã poderei ainda menos

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

17

Costumava ser o meu nº da sorte, o que é um conceito no mínimo estranho para quem não acredita em nada, mas foi num dia 17 que comecei a namorar com o meu primeiro amor e esse número tomou uma dimensão quase mistica para mim. Depois o meu pai morreu num dia 17, o meu tio preferido também e agora tive 17 no trabalho final. Pois... esta conversa toda era só para dizer isto! Tive 17! Fim!

Magias, milagres e outras fantasias

Queria ficar boa por magia! Continuo à espera de um in-put externo que me dê um empurrãozinho... uma paixão, por exemplo, de certeza que me ia encher de alento e pica pela vida novamente. Mas quem no seu perfeito juízo se vai interessar por uma gaja de 31 anos com uma depressão e peso a mais? Preciso de um milagre!

Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

Sábado, Janeiro 13, 2007

Orbito

Estou em órbita. Quando me aproximo da Terra vejo a vida, as pessoas, tudo a acontecer... na Terra. Tenho inveja. Também quero viver. Queria chegar à Terra. Não sei como.



Pensava que depois de acabar o meu trabalho final tudo seria diferente. Queria conseguir depositar uma esperança, por leve que fosse, que com a apresentação e com o oficializar do ter acabado o curso me vou sentir melhor, mas não dá! Não tenho esperança nenhuma. Nenhuma.

Arrasto-me para casa depois de ter ido andar de patins... tinha esperança que o exercício físico me desse um novo alento, mas já nem isso funciona. Choro pelo caminho. Passo a passo. E imagino que alguém me vai ver e salvar. Um carro pára... faz marcha atrás. Viram-me! Mas o carro estava só a fazer inversão de marcha... e eu não existo.

É Sábado e não tenho ninguém com quem jantar ou ver um filme ou sair. Sim... tenho amigos mas nenhum me convidou para nada e aqueles a quem telefonei tinham outros planos. Família? Um doce veneno! Não posso continuar a correr para as saias da mãe... Já vivi anos demais ao colo dela e percebi finalmente que este colo, sempre disponível, é um poço sem fundo, de onde é muito difícil sair. Caí lá pelo Natal e ainda estou a tentar escalar as paredes escorregadias. Não tenho mais forças. Vou agarrar-me por aqui à espera que alguém me ajude a subir mais um bocadinho. Acho que bastava ter alguém lá em cima a olhar por mim... mas olho e não vejo ninguém.

Comecei a registar livros no BookCrossing.com e deixá-los "esquecidos" por aí. Queria sentir-me parte do Mundo. Ainda não houve nenhuma resposta.

E, apesar de estar há 2 semanas a portar-me bem, não consigo emagrecer.

E não há neve!

Quinta-feira, Julho 27, 2006

A sardinheira de Hitler


Em casa da minha família existe uma sardinheira da qual cuido regularmente. Nem gosto especialmente de sardinheiras, costumo até achá-las feias, mas aquela sinto-a como minha porque, desde que comecei a mimá-la, tornou-se a mais bela das sardinheiras e presenteia-me com vigor e flores vistosas de um rosa forte. A única coisa que eu lhe faço é arrancar, sem dó nem piedade, as folhas estragadas com aquelas manchas tão características das folhas de sardinheira. Olho e arranco e arranco e olho e procuro e espreito e arranco e arranco. Depois de tirar todas as folhas com manchas, começo a arrancar também folhas velhas e, à medida que vou avançando, os meus critérios de selecção vão-se alterando e tornando cada vez mais exigentes, e sigo para as folhas partidas e deformadas.

Estava eu no outro dia toda entretida e contente a arrancar folhas quando me horrorizei com o meu próprio comportamento. Afinal que direito tenho eu de decidir que folhas vão ficar e que folhas arrancar?... Quem sou eu para ditar o que é melhor para a sardinheira e para as suas folhas? Não consigo evitar comparar-me com Hitler e questionar-me se, caso a humanidade enlouquecesse e os propósitos de Hitler tivessem sido concretizados, também os critérios de selecção de indivíduos dignos de pertencer ao Mundo teriam sofrido afinação em cima de afinação, como a minha limpeza da sardinheira. A verdade é que é tudo relativo. Dentro do Universo do que conhecemos vai sempre existir aquilo que consideramos melhor e pior e todas as nuances intermédias. Por muito que queiramos eliminar os extremos (ou pelo menos o extremo que consideramos pior) nunca vai ficar tudo igual (e ainda bem!) e sempre, mas sempre vai haver melhor e pior...

Não sei se devo continuar a arrancar folhas da sardinheira.

Quarta-feira, Julho 05, 2006

João Chaves

Há uma situação que tenho de corrigir... João Chaves já pagou o que devia. Aliás já o fez há algum tempo pelo que peço desculpa por só agora estar a esclarecer as coisas. Só tomei conhecimento esta semana e cá estou eu a esclarecer as coisas. Justiça seja feita. João Chaves pagou tudo e pouco tempo depois de lhe ter sido enviada e esclarecida a factura.

Sábado, Abril 15, 2006

Desculpa... raiva sou eu que sinto.
Vergonha? Sim tenho vergonha. Devia era ficar quietinha e caladinha e tratar-te muito bem antes que te lembres de perceber que a nossa relação acabou e que me mandes embora da tua vida. Medo! É medo que eu devo ter. Não é lá muito esperto levantar ondas, pois não? Sim... também tenho medo, mas tenho mais raiva e é ela que me move agora. Raiva porque não me desejas. Raiva porque tens vergonha de mim. Porque de tanto desvalorizares as minhas coisas boas, elas mirraram e sumiram sábe-se lá para aonde. Estou vazia de coisas boas agora. Sou só gorda e inútil. A culpa? É minha que já devia saber que andar com alguém que não nos dá valor é devastador.

E a tão aguardada resposta ao enigma é...

Candy Shop!
(a dica era só para despistar)

E agora tu!

Cada vez mais vejo no teu olhar... sei lá... não é bem desprezo, é algo que ultrapassa a desilusão... pena? Não sei o que é mas magoa-me cada vez mais. O que é que te leva a continuar comigo? Não são os risos, as conversas animadas, as brincadeiras... tens... temos feito um esforço para acabar com elas. Sei que não é desejo! Não me queres! Usas a tua erecção matinal (ou tiveste um sonho erótico?) para me tentares dar o que pensas que eu quero. O que é que pensas que eu quero? E eu dou-te o que penso que tu queres! O que é que querias?

Às vezes parece-me reconhecer vergonha em ti, vergonha de mim, claro. Vergonha da minha falta de determinação para conseguir o que quero. Vergonha por teres uma namorada cada vez mais gorda... uma gorda não tem lugar no teu mundo perfeito, uma inútil, fraca... o teu mundo dos fortes... o mundo de bem sucessidos.

Mas tenho uma coisinha para te dizer... VAI À MERDA! Não gostas não comas! Mas principalmente não me venhas comer contrariado e com raiva como se desses uma esmola aos arrumadores... Não vou aceitar continuar a andar contigo se tens vergonha de mim. Aceitar que não me dês valor é desvalorizar-me e é isso que eu tenho andado a fazer aos poucos. Agora chega.

Volta meia volta, volta-me...

Raiva! Uma raiva imensa porque me desejava tanto! Puta! Tinha vergonha de mim, ele... Escondía-me... só me confessava aos melhores amigos, aqueles capazes de lhe aceitar um deslize, uma fraqueza. Puritano? Sei lá... doente, acho. Indignáva-o a maneira descomplicada com que eu encarava a sexualidade. Nuvem negra, chamáva-me. Como se o hipnotizasse a seguir-me para o reino da trevas. Repudiáva-me quando eu demonstrava o meu desejo por ele. Agredía-me com a sua voz, com o seu olhar, com todos os espinhos que o seu corpo conseguia erguer. E picava muito. Não era consciente que me exibia o seu corpo perfeito, era o calor, enrolava as mangas da camisa e eu suava com o calor. Odiáva-me por deseja-lo antes de o amar. Eu? Eu não percebia nada. As suas mensagens contraditórias baralhávam-me e magoávam-me. Acho que agora percebo.

Sexta-feira, Abril 14, 2006

BDB

... o melhor videoclip de sempre e de hoje! BackDormitoryBoys!

Sábado, Abril 08, 2006

Quero?

Lembro-me de correr. Correr! Depois lembro-me de nem andar querer. Anos e anos passaram sem que eu quizesse andar e era feliz ou achava que era. Não sei... o que é ser feliz senão a sensação que se o é? Eu julgava-me feliz! Era feliz quando corria. Era feliz quando não queria andar. Agora quero. Preciso! É uma imposição agora minha... Costumava indignar as pessoas por não ter vontade de andar, por estar sempre sentada. Isso incomodáva-me. Gostava que olhassem para mim com admiração. Aos poucos fui adoptando essa meta como minha. Estar sentada agora já não é prazer, é culpa. Tenho de andar. Quero tanto... preciso tanto! Andar, e sem muletas, que ninguém iria admirar-me enquanto me deslocasse deselegante apoiada nas muletas, arrastando a perna que me resta num equilíbrio triste...

Pois é... falta-me uma perna! Cada nova prótese que tento é uma nova esperança. Sei que o caminho vai ser duro mas encaro esse sofrimento com alegria porque no fim vou poder andar novamente como tu. Cada nova prótese tem um período de adaptação. Cada nova prótese tem um período de negação. Um período de incerteza. E por fim a rejeição absoluta. Cada nova prótese rouba-me um pouquinho de vida e cada vez me custa mais entusiasmar-me com uma nova prótese. Resta-me esperar que a perna me cresça de volta!

Glossário:

Andar - trabalhar (acabar o trabalho final e ingressar no mercado de trabalho)
Correr - trabalhar determinada e satisfeita (na altura trabalhar era cumprir as minhas tarefas de miúda da escola, fazer os tpcs, estudar para os testes, ter boas notas, ser bem educada com os professores, etc)
Estar sentada - estar de férias, fins-de-semana, feriados, tempos livres, viajar, brincar...
Muletas - rendimentos que vou recebendo sem fazer patavina, excepto tratar, de vez em quando, dumas tretas duns papeis, assinaturas, contractos, aturar os loucos dos meus tios, e afins e mesmos assim o pincel maior é o meu irmão que resolve
Perna - objectivos e motivação, saber o que quero (eu quando for grande quero ser...)
Próteses - motivações inventadas (já sei o que quero... é fazer massagens, é trabalhar num viveiro de plantas, é dedicar-me à agricultura, é ser arquitecta paisagista, é nem pensar ser arquitecta paisagista, é ser empregada de balcão, é ser instrutora de snowboard, é ter uma empresa de caminhadas, é trabalhar para uma empresa de caminhadas, é... é...)

Sexta-feira, Abril 07, 2006

Enigma

Para gastar 50 cents em maçãs, onde é que as ia comprar?
(dica: cada maça pequena custa 6 cents)

Quarta-feira, Abril 05, 2006

Upgrade


Quem viu...

Terça-feira, Abril 04, 2006

Ainda os meus sonhos

Quem sou eu?

Um sonho verosímel. Uma vida paralela. Outra dimensão. O mesmo eu?

Delinquente, toxicodependente... envolvida num homicídio acidental que, por não me conseguir ver livre do corpo, me obrigou a fugir. Assustada descia a minha rua a correr. Não poderia voltar. Não tinha para onde ir, não tinha dinheiro. Do portão dos meus vizinho sai um miúdo pequeno. "Tia, tia, dá-me um abraço!". Comovida peguei-o ao colo e abracei-o com força. Num milésimo de segundo vi naquela criança a esperança duma saída... Desatei a correr com ele ao colo. Raptei-o!

Tive de ir pedir esmola para arranjar qualquer coisa para lhe dar de comer. Não lhe queria fazer mal, já bastava tê-lo separado da família...

Numa ruela ao pé da Igreja um sem abrigo guardava altivo o seu reino de tralha. Pedi-lhe leite mas só tinha licor para me oferecer. Pedi-lhe um retalho duma manta para aquecer o miúdo mas não consegui nada.

Ao virar da esquina uma esplanada de café estendia-se ao longo da parede. Aproximei-me da primeira mesa e dirigi-me a uma senhora velhota com um ar bem disposto. "Minha senhora, por favor, preciso de dar comida à minha filha, não me pode ajudar..." (não queria que me relacionassem com o rapto por isso inventei uma filha). A senhora olhou para mim triste. Agarrou-me na mão e lamentou a minha vida mas negou-me o dinheiro para comprar comida. Tentei convencê-la contando que tinha acabado de recusar uma garrafa de licor que me tinham oferecido, queria que percebesse que a aflição de não ter comida para dar à minha filha era mais forte que os meus vícios mas a senhora continuou a recusar ajudar.

Tinha de devolver o miúdo. Não tinha como dar-lhe comida, como agasa-lhá-lo, como acalmar os seus medos no meu mundo negro. Imaginei várias vezes que tocava à campaínha e que a chorar arrependida o soltava dos meus braços desesperados para os braços desesperados da sua mãe.

O sonho acabou. Ficou a dúvida. Os sentimentos eram os meus. Uma vida paralela. Noutra dimensão eu vivo agarrada a outras escolhas. Às escolhas erradas.

Segunda-feira, Abril 03, 2006

O padrão do vestido das ovelhinhas (cont)















... e como prometido é devido...
cá vai!

Quarta-feira, Março 29, 2006

Inútil?

Quero paz. Procuro-a à noite mas de dia vejo os telejornais!

... e à noite espio os pecados do Homem

Sonhos, sonhos, sonhos! Depois de um buraco negro que durou algumas semanas (já estava a ficar preocupada) voltaram os sonhos em força. Gosto deles bem compridos e intrincados e malucos ou belos, malucos e belos, como o desta noite. Tão compridos que não consigo contá-lo todo mas ficam duas partes que gostei especialmente:

(hesitação devido à vontade de contar tudo...)

... e começámos a descer umas escadas talhadas na rocha calcária. Os meus olhos maravilhados examinavam cada cm quadrado daquele monumento geomorfológico... as paredes verticais, o chão aplanado... a textura do calcário, as formas repetidas do padrão criado por Eras de erosão. Cá em baixo, como liliputianos no fundo de uma piscina seca, eramos esmagados pelo peso da imensidão do Mundo, pela maravilhosa Natureza. Era um local de contemplação, de comunhão e cada um vivia-o livremente à sua maneira, como nos recordava o som continuado das rodas dos skates que exploravam as características da rocha.

Pouco depois estava ao pé de uma falésia. À minha frente outro cenário encantado, magnífico... um daqueles locais onde as palavras mudas nos saiem molhadas pelos olhos. Já estiveram num local assim? Já sentiram a comoção da absoluta beleza? Da imensidão da Vida? Ai se eu pudesse voar... atirar-me daqui e ficar presa no ar. Para sempre. A sentir este vento forte na cara. Vento insurdecedor. E o vento empurra-nos a atenção para os olhos, para a alma, para o Mundo. Somos nós e os nossos pensamentos. Só nós! Cada um de nós é só um e cada um é só uma parte do Mundo, células vivas do corpo do Universo.

Aproximo-me da beira e os meus pés descobrem umas antigas ruínas perdidas no tempo. Equilibrava-me sobre um rendilhado de colunas finas tiradas da rocha. Sinto a magia A obra do Homem face à obra da Natureza. Equilíbrio de forças? Quase! O meu espírito pede-me perdão pelos homens que não souberam merecer o que lhes foi dado e vê naquelas colunas, naquele templo perdido, esperança de um Mundo melhor. Esperança no Homem. Esperança na obra do Homem. O vento está arrasador. Vem vento, láva-me o desgosto, a vergonha de pertencer a esta espécie destruidora, assassina. Agarro-me às colunas com força. Estou no mais belo local do Universo e a obra do Homem faz parte dele. Paz. Perdão. Beleza eterna. E o vento!

Sexta-feira, Março 24, 2006

O padrão do vestido das ovelhinhas

...e o vestido das ovelhinhas tinha um padrão igual ao das minhas cuecas! Viva os sonhos! Adoro sonhar!

(a juntar foto assim que as cuecas voltarem do processo de lavagem)

Quarta-feira, Março 22, 2006

No AR

NAdávaMos no Ar. De bRuçOs, qUe canSa MuIto nADAr de MaNeiRas MAis bOniTas, SeNSuais, viGOROSas. sE nADáSSemoS mEsmO dEPREssa EramOs capAZes dE SUbiR aTé aO CiMo dOs PRéDios. àS VEzEs o aR FiCava mEnoS DEnso e ErA pRecIsO NaDar mAIs DEpresSa e mESmo AssIm DescÍAmos UnS dOis oU TrÊs metROs. DiVeRtíAmo-noS CoM ISso. AInda tEnHo aQUela SeNSaçÃO de sUbIr e DesCEr InESperAdaMenTe Ao sAbOr do AR!

Domingo, Março 05, 2006

Estou de partida

Uma semana no Cadaval a tirar um curso e depois vou uma semana para a neve. Socorrismo e snowboard! Nada de net nos próximos 15 dias. Nada de posts. Xau aí!

Domingo, Fevereiro 26, 2006

Sons

Algumas palavras que me agradam só pelo som!

Pistótira
Serigaita
Pipoca
Bomboca
Biscoito
Bolacha
Fisga
Gincana
Banana
Pirolito
Carrapito
Sardanisca
Carapau
Pirilau
Patavina
Carolina
Cotovia
Piolho
Repolho
Carapaça
Sapata
ou Batata Frita!

Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006

1007 (nada a ver com nenhum modelo de carro!)

E assim de repente já 1007 pessoas andaram por aqui! Parabéns para mim? Acho que às vezes esqueço a razão pela qual comecei o meu blog... Comecei porque tive a necessidade de publicar uma data de coisas que tinha escrito e a coisa foi andando... hoje escrevo para desabafar, para dizer disparates ou para partilhar com os outros coisas que me tocam. Tenho noção que agora deito as coisas cruas cá para fora. Perdi na qualidade... os marinados, refogados, assados... os temperos e aqueles toques finais para decorar os pratos perderam-se. Temos pena! Sigo as minhas necessidades e se elas mudaram, azar! E foi por necessidade que resolvi explicar-me agora! Na realidade tenho é necessidade de pedir desculpa pelo decréscimo de qualidade da coisa. Sorry mas valores mais altos se levantam.

Obrigado a quem por aqui passou! Estou sempre a tentar convencer-me que não ligo lá muito a isso mas não é nada verdade. Muito obrigado!

Maria chorona

Tinha o single e ficava sempre a chorar quando o ouvia. Também os desenhos animados do D. Quixote me deixavam inconsolável com o desgraçado do cão que andava perdido, cheio de fome e de sede pelas áridas paisagens do interior de Espanha à procura do estúpido do dono que nem se lembrava que ele existia. De resto em qualquer documentário da vida animal era certo ir às lágrimas. O pior é que já trintona continuo na mesma. O Finding Nemo vi aos soluços do princípio ao fim, o King Kong foi só na segunda parte mas saí do cinema com a cara inchada e vermelhona para gozo dos meus amigos... aquelas comédias românticas então são o pior. Não aguentei A minha Namorada tem Amnésia, As Joias da Família, etc. Pronto... não chorei no Aeonflux, 1 só lagriminha no Munique e escapam os filmes de terror. E ora aqui está um post sem o mínimo interesse!

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006


foto daqui

Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006

Revelação

Desculpe! Sou uma daquelas pessoas que emana pedidos de desculpa pelos poros. Desculpe por estar à sua frente no trânsito, desculpe por ter de me servir um café, desculpe por ter de se chegar para o lado para se cruzar comigo no passeio, desculpe por tudo, desculpe por nada!

Tento minimizar o impacto negativo que causo ao resto do Mundo sendo simpática e sorridente, na esperança que me desculpem por existir. É muito difícil para mim passar à frente de alguém numa porta, na estrada temo que me pélo (pelo, sei lá, pêlo é que não deve ser!) empatar alguém, é dramático exigir os meus direitos (como os 30 ou 40 contos que o namorado da minha prima me cravou há 10 anos e que eu nunca fui capaz de pedir!), etc.

Estou consciente do ridículo da coisa e disfarço... peço o meu café com convicção (mas sorridente, claro!), obrigo-me a passar à frente de algumas amigas de vez em quando... mas a culpa está cá.

Culpa de quê? Pois ainda só há hipoteses. Na última sessão de grupanálise lembrei-me duma coisa que pode ter alguma culpa nesta culpa!

O meu pai morreu tinha eu 13 anos. Cirrose hepática. Era alcoólico! Não, não nos batia, mas era no mínimo uma companhia muito pouco agradável e cá está tema para mais um post porque aqui o tema é outro. O que aqui interessa é que não tinha grande afinidade com o meu pai. Era um sacrifício ter de passar as tardes de domingo com ele. E ele devia saber porque estava sempre a comprar-nos com presentes e brinquedos e motos! Claro que lhe tinha afecto, era o meu pai e amáva-me (dizem... e eu acredito). Mas pronto... morreu! E mesmo depois de morto continuou a comprar-nos! Deixou-nos uma herança. Uma perigosa herança para uma miúda hiperprotegida e mimada. Dinheiro com fartura (para olhos adolescentes!), uma herdade no Alentejo, uma casa no Montijo, um terreno na Arrábida, uma Quinta em Caneças, o apartamento onde morava e uma moradia na Parede, ah... já me esquecia da venda de outra herdade no Alentejo que decorria quando o meu pai morreu e que já tive de ser eu e o meu irmão a ir à escritura... acho que é tudo, mas sinceramente não o posso garantir (pois... e um carro e as nossas motos e o recheio da casa e uma madrasta também!)

E a culpa? A culpa vem do que nunca saiu da minha boca. Não por não ser mentirosa, que tenho a minha dose de mentira saudável para fugir do colégio com o namorado... Mas bolas... sei lá se ele não me lê os pensamentos... já é suficientemente mau o que eu pensava ou penso ou não, só podia ser pior mentir sobre isso, por isso nunca disse porque nunca acreditei que preferia o meu pai à herança.

Continuo depois.

Assustador

Hoje à conversa saiu-me o seguinte disparate:
-"... pois é, avô, ainda agora tinha entrado Janeiro e já estamos a chegar ao fim do mês!"
10 de Fevereiro... já estamos quase a meio de Fevereiro, bolas!

Soluções brilhantes!

Soluções brilhantes! Realmente brilhantes e tão evidentes que fora das situações até eu as vejo...

- Problema 1... quando estou em casa a tentar trabalhar (tentar fazer a porra do trabalho final) estou sempre a escorregar escada abaixo para a cozinha porque fico, mal me sento na cadeira, subitamente"cheia de fome" e nessas alturas uma peçinha (ou é pecinha?) de fruta jamais satisfaz e acabo sempre por comer o que queria e não queria e como por um lado já estou com uns kilinhos a mais e por outro não consigo sentar-me a trabalhar com a desculpa que tenho de ir comer porque a médica disse que devo comer regularmente para não chegar a ter fome...

- Solução brilhante para o problema 1: Arranjar, logo a seguir às refeições, um prato grande, variado e abundante de frutas, tostas integrais, queijo magro, tomate com oregãos, e uma guloseima ou outra também para a ansiedade e ir petiscando! Simples, não é?

- Problema 2... quando estou numa fase má (que se pode dizer que agora é o caso) entro num ciclo de auto-punição que reforça a fase má, arruinando das mais variadas maneiras (imaginação não me falta) os vestígios de auto-estima ainda existentes.

- Solução brilhante para o problema 2: Sair do ciclo vicioso! Dahhhh! Claro! Fazer algo por mim que me faça sentir bem e "puxar" uma fase boa! Ter mais cuidado com a alimentação, por exemplo, fazer mais exercício físico que faz um bem danado ao corpo e à mente e ainda tem a vantagem de me dar uma maior margem de manobra no campo da alimentação, etc, etc, etc... (como fazer a merda da depilação! Fogo! Que alívio! O que é que custava ter resolvido o assunto há 2 semanas?!!!)

Pronto... são só duas, e até pode parecer que estou a gozar mas o mais triste é que não...
Simples e fáceis, é absurdamente estúpido sofrer. Mas o facto é que caio e volto a cair nos mesmos erros e depois choro e a constatação da existência de soluções tão simples e fáceis como estas só me faz sofrer mais. Cega de raciocínio positivo e construtivo. Paralizada para tudo o que não me faça sentir pior. Vamos lá ver onde é que isto vai dar. (Esta semana voltei a tomar o Cipralex... mas acho que isso merece o seu próprio post)

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006

Sábado, Janeiro 21, 2006

Naba!

Não sei o que é que aconteceu mas quando adoptei a Tigreza (é uma tigrinha adorável que podem ver no fim do blog em baixo) a barra do lado direito do meu blog foi parar lá abaixo! E como eu não pesco nada de html... vai ter de ficar assim!

Hot hot hot

Segunda-feira, Janeiro 09, 2006

Walkin' on the Sun

Walkin' on the Sun
Smash Mouth
It ain't no joke I'd like to buy the world a toke
And teach the world to sing in perfect harmony
And teach the world to snuff the fires and the liars
Hey I know it's just a song but it's spice for the recipe
This is a love attack I know it went out but it's back.
It's just like any fad it retracts before impact
And just like fashion it's a passion for the with it and hip
If you got the goods they'll come and buy it just to stay in the clique

[Chorus:]
So don't delay act now supplies are running out
Allow if you're still alive six to eight years to arrive
And if you follow there may be a tomorrow
But if the offer is shun you might as well be walkin' on the sun
Twenty-five years ago they spoke out and they broke out
Of recession and oppression and together they toked
And they folked out with guitars around a bonfire
Just singin' and clappin' man what the hell happened
Then some were spellbound some were hellbound
Some they fell down and some got back up and
Fought back 'gainst the melt down
And their kids were hippie chicks all hypocrites
Because fashion is smashin' the true meaning of it

[Repeat Chorus]

It ain't no joke when a mama's handkerchief is soaked
With her tears because her baby's life has been revoked
The bond is broke up so choke up and focus on the close up
Mr. Wizard can't perform no godlike hocus-pocus
So don't sit back kick back and watch the world get bushwhacked
News at 10:00 your neighborhood is under attack
Put away the crack before the crack puts you away
You need to be there when your baby's old enough to relate

[Repeat Chorus]

Domingo, Janeiro 08, 2006

"Mixer" estragado

Eu sei... eu sou uma namorada chata... sou muito exigente em atenção, em mimos, em mais atenção e a sensação que dá aos desgraçados que já me têm aturado é que vou exigir sempre mais. Houve uma excepção... talvez por ter sido o único gajo por quem eu me apaixonei antes de começar a andar com ele, o meu "Bloqueador solar". Queria tanto aquele imbecil que aprendi a passar por cima de certas coisas racionalizando: "...isto é razão suficiente para não querer estar mais com ele?" e nunca era! Pensava sempre nos factos isolados e não fazia uma análise da evolução da coisa e ia engolindo todos os sapos gordos e viscosos que ele me servia com aqueles braços de surfista que me deixavam doida. Bem... preciso dizer que o namorado que tinha tido antes tinha sido o que mais me criticou por ser melga, ciumenta, possessiva, o que eu era, de facto, e demais! Claro que não queria voltar a repetir os erros do passado e queria evoluir e ser uma pessoa melhor. Tudo isto me fez cair no extremo oposto e não exigir nada para mim. Até ele se queixou: "... contigo parece que posso fazer tudo... não me dás limites..." e eu não consegui perceber o tom prejurativo com que ele me deu tamanho elogio.
Só posso dizer que o sofrimento por que ele, consciente ou inconscientemente, me fez passar ainda se reflecte em mim agora, passados tantos anos.

Sei que algures no meio entre estas duas posturas é que eu devia estar, mas é tão dificil saber onde. Porque das duas uma... ou uma pessoa acredita que deve dizer ao outro quando não está bem, numa de partilha integral da vida (até porque eu não gostava que o meu namorado tivesse a passar um mau bocado sem que eu soubesse), ou acredita que deve poupar o outro de amuos e birras e só lhe deve mostrar o melhor de si.

Quer uma postura quer a outra são válidas, têm as suas razões, vantagens e desvantagens, mas obviamente é na conjugação das duas que está a atitude certa. Eu tenho é o "mixer" estragado!

Quando se tem o corpo dorido, qualquer festinha magoa e é fácil reagir mal. A questão é se devo ou não mostrar que estou magoada... (amuo ou sorrio? exijo cuidado ou finjo que está tudo bem? sou sincera ou falsa? sou chata ou não?)

Segunda-feira, Janeiro 02, 2006

Eu sabia que tinha mais despesas mensais que não estava a contar... só a psicóloga leva-me entre 350 a 400€/mês!

Domingo, Janeiro 01, 2006

Entrou a 100

Desde o coisas boas entraram coisas como:
-"... de que é que me adianta ter sucesso no meu projecto se não estiveres aqui comigo..."
E já depois do Natal:
-"... deves estar com mais 10 kilos desde que te conheci (são 3, tá!)... se continuas assim rifo-te!"
-"... desistes de tudo... não és a mesma pessoa que conheci há uns meses!"
-"... gosto muito de te ter aqui mas esta casa é minha! Tens de arranjar a tua... precisas do teu espaço, das tuas coisas..."

Entraram a cem mas nenhuma saíu a duzentos. A primeira derreteu-me e guardei no coração mas as outras...

A estória da casa, por exemplo, o que é que eu faço com ela, digam-me, porque ela anda aqui às cabeçadas para a frente e para trás como uma pinball maluca que nunca mais encontra a saída!

Sim... claro! Faz todo o sentido meter-me a comprar uma casa se estou contigo a maior parte das noites e nas outras vou a casa ver a família. Vou comprar uma casa para a ter lá... Pois! E como eu agora não tenho mais nada que fazer vou distrair-me a procurar uma casa, a decorá-la, etc...

Claro que gostava imenso de ter uma casa para decorar todinha mas:
- agora estou a trabalhar durante a semana e como (ao contrário do que certas pessoas pensam...) ainda queria acabar o curso e fazer a merda do trabalho final até ao ano que vem não parece lá muito interessante perder-me com mais isso (não preciso de mais um foco dissipador da minha débil concentração);
- estou a trabalhar mas é só por uns meses;
- o meu ordenado não é grande coisa e entre telemóvel, gasóleo para o carro, gasolina para a mota, selos, seguros, portagens, manutenção, alimentação e despesas veterenárias para as minhas fieis amigas, não me parece que sobre lá muita coisa para poder pagar, numa base regular, ainda mais os custos de ter uma casa (que nem faço ideia quais são);
- sim... tenho um medo que me pélo nem sei bem de quê;
- não vou ter tempo de ir gozar tal casa;
- nunca percebi muito bem essa coisa do "meu espaço"...
- não me lembro de mais razões mas devem existir porque o meu sentimento diz!
(já tinha postado sobre ter uma casa minha em Julho)

Mas pronto... há quem precise do seu espaço e eu não vou continuar aqui a estorvar ninguém! Só hoje porque estou um bocado cansada para ir para casa e como é dia 1 deve haver para ai muito acidente e como estou de mota não me apetece muito meter-me à estrada. Ano novo, vida nova! Amanhã volto para casa.

Não me apetece escrever mais hoje... não sei quando volto cá porque em casa ainda não tenho net...
Ops... esqueci-me de desejar uma casa só para mim...

Domingo, Dezembro 18, 2005

Coisas boas

Chegámos a um ponto em que eu só te dou coisas más e exijo coisas boas... dou-te lágrimas, amuos e palavras que te sufocam e queria que tu me desejasses em troca. Que estúpida! O pior é que não tenho coisas boas para ti agora. Não tenho como inverter as coisas. Como disseste... não faz sentido andar atrás de ti a exigir que gostes mais de mim, que me olhes desta ou daquela maneira. Pois não faz sentido nenhum. Só que há algumas pessoas que querem prolongar coisas boas. As nossas acabaram.

Cara de fim-de-semana

Procuro nos teus olhos aquele brilho a que me habituaste. Quando estava contigo o Mundo reflectia esse brilho e ficava mais luminoso. A semana avança... as semanas passam... mas há sempre a esperança do novo fim-de-semana. É então que a desilusão vem adormecer-me os músculos do corpo, a frustração franze-me a testa em caretas tristes e feias... vou procurar o que fazer para sair de ao pé de ti, onde cada instante me confronta com a tua distração... enquanto eu espero atracção.

Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

A serra é minha!

Já lá vão uns poucos anos que pela primeira vez enfrentei o nevoeiro, as silvas, o tojo e o carrasco e com as minhas fieis amigas entrei serra adentro, perdendo-me para me encontrar, levando-me à exaustão para deixar novas energias me invadirem, temendo o desconhecido para me sentir vitoriosa de regresso a casa...

Já lá vão uns poucos anos que Sintra era minha.

Partilhava-a com os meus convidados e tolerava uns tantos malucos com quem me cruzava muito esporadicamente, como aqueles que uma vez desciam o trilho que eu subia e que provavelmente por andarem a fazer o mesmo que eu, tinham o mesmo cuidado que eu na escolha da idumentária o que fazia da dupla uma visão assustadora e traziam um cão com ar feroz (e terrivelmente despenteado!). Como ía a subir e já bastante cansanda estava a olhar para o chão e só reparei que se aproximava alguém quando as cadelas começaram a correr para cumprimentar aquele simpático grupo. Confesso que de repente fiquei um bocado assustada. Até há bem pouco tempo os meus passeios restringiam-se ao paredão (que na altura também ainda era meu... pelo menos à noite, quando ainda não estava iluminado e pouca gente se aventurava por lá mas mesmo o paredão à noite parecia menos assustador do que estar ali no meio do nada onde ninguém me poderia socorrer caso... bom... não vale a pena estar a imaginar cenários de terror, para isso já tenho os meus animados sonhos, aqui na vida real essas coisas não me vão acontecer! Afinal os tipos eram pessoas normais que me disseram boa tarde e seguiram caminho chamando o Pilas, o cão despenteado e farrusco que afinal era um pacholas.

Havia ainda aquele grupo de doidos alucinados que desciam (e ainda descem) a serra de bicicleta a abrir por trilhos por eles criados e desenhados, com rampas, e montes de coisas giras para os afixionados das brincadeiras com binas. Quem já se cruzou com tal grupo sabe que só se ouvem quando já estão relativamente perto e passam num abrir e fechar de olhos, como se tivessemos tido uma alucinação! Esses malucos, apesar do perigo que representam para as minhas cadelas, merecem especial admiração da minha parte.

Depois um ou outro ciclista isolado ou em grupos mais pequenos a circular pelos caminhos mais normais e a velocidades menos vertiginosas. Uns tantos jeeps e motas que por se ouvirem à distância dava para controlar as despassaradas das minhas cadelas que ainda não perceberam o que é que são bermas.

Embora descreva aqui uma grande variedade de aves raras com quem partilhava Sintra, podiam passar semanas e semanas em que não me cruzava com ninguém, se evitasse certos locais, claro! Preciso dizer que na altura eu era muito mais regular nestas andanças e estava lá 2-3xs por semana.

Agora porém não se pode ir a lado nenhum que não estejam lá já 2 ou 3 carros estacionados, bicicletas é aos magotes, famílias inteiras, grupos de pessoas a andar em percurso que já foram marcados sem que me perguntassem nada, invasores... INVASORES! A serra é minha, ouviram? Esses caminhos que vocês percorrem fui eu que os descobri! Muitas pernas esfoladas e arranhadas por desbravar esses caminhos que entretanto os gajos dos Serviços Florestais resolveram abrir. Violaram, rasgaram, devassaram a minha serra... Minha! Voltem para o shopping que fato de treino já não vos falta!

Até filmam aquela coisa da tropa com o José Castelo Branco num dos meus sítios... aquele sítio que por ser tão especial estava reservado a ocasiões solenes... tudo vedado!

Pronto! Já mandei vir! Continuo zangada mas pelos menos já desabafei!

Domingo, Dezembro 04, 2005

(algo me diz que vais ler isto tão cedo...)
Ó mori... já é uma da manhã... deixa a porcaria do computador e vamos dormir...

Bolas! Bolas! Bolas!

Nem consigo deixar comentários nos blogs dos meus amigos nem consigo postar aqui, estou a ver! Mas porque é que não tá a dar para deixar as minhas esclarecidas ideias acerca das ideias das outras pessoas? Aquela coisa do word verification... até já sei a porra da palavra de cor... smenita... e agora esta treta até apaga os meus posts? Vou tentar outra vez! (mas desta vez vou fazer um ctrl+c!)

Bolas! Bolas! Bolas!

Sábado, Dezembro 03, 2005

Confissão

Tenho uma confissão a fazer. É uma coisa difícil fazer esta confissão, se é que não são todas...
Lembrei-me duma coisa enquanto navegava entre os meus blogs preferidos. Foi no Café Desconcerto... a Little Arsonist postou sobre o Irreversible (a propósito... não consigo deixar lá comentários!) e eu lembrei-me do que este filme me fez sentir. Viram o Irreversible? Eu não consegui ver até ao fim... não. Fiquei muito mal disposta com tanta violência crua. Fiquei mais ou menos tão mal disposta como quando há ainda mais anos fui ao Palácio das Galveias ver uma exposição sobre os objectos de tortura usados durante a Inquisição. Revoltada da cabeça aos pés com especial destaque para o estômago. Como é que um pessoa, qualquer pessoa, é capaz de submeter outra pessoa a qualquer tipo de tortura? Mesmo face ao torturador, mesmo pensando que a besta mereceria pena igual, eu nunca seria capaz de lha impor... (sou contudo defensora da pena capital para comprovados criminosos).

- "...ah e tal porque o filme é bom... é um bocado pesado e violento mas é um grande filme..." Diz o gajo do videoclub que eu até tinha em grande estima... e a malta leva o filme para casa com um pacote de danocas (tão boas!).

- "E se fosses levar no cú?" Penso eu e logo arrependo-me porque levar no cú é uma coisa muito "desagradável" de se dizer no contexto Irreversible!

Irreversível é ver o filme. Mas, voltando à confissão...

Bolas... isto é mesmo difícil!

É que eu fiquei excitada com aquela merda daquela cena! Agora vejam bem... Eu! Nunca fiz deliberadamente mal a ninguém, faço até por não incomodar sequer a malta (exigências de namorada àparte, claro!), choro com qualquer porcaria comovente que me puserem à frente... sofro se vejo alguém sofrer (mesmo quando são os maus dos filmes, sem contar com mortos-vivos), sofro terrivelmente pelo sofrimento de qualquer animal (moscas e melgas não contam), e desde pequena sempre fui defensora dos fracos e oprimidos (sem nenhuma conotação política, que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!)... como é que eu explico a mim mesma que eu própria posso ter ficado excitada com aquilo que me estava a repugnar tanto? E estava de facto a repugnar-me tanto! Ficou uma confusão na minha já baralhada cabeça! Sou um monstro? Não sendo um mosntro como é que posso ter ficado excitada enquanto alguém sofria daquela maneira (escusam de dizer que aquilo era um filme porque eu envolvo-me mesmo com as cenas e então aquela que estava tão real, e além disso já tanta gente deve ter sido violada assim que não faz diferença ser ou não um filme!)?

Domingo, Novembro 27, 2005

Podia...

Podia ir tomar um banho de imersão e gozar o meu corpo, a água quente, a espuma... podia voltar a dizer-te que não estou bem mas as minhas palavras não conseguem interferir no entusiasmo que sentes pelo que estás a fazer. Podia dizer que me fazes falta... que te quero... que estou triste porque o fim-de-semana está a acabar sem que eu tivesse tempo de matar saudades, apesar de estares aqui mesmo à minha frente, apesar de te levantares inúmeras vezes só para me vires dar um beijinho, apesar de me dizeres tantas vezes que gostas de me ter aqui em tua casa... podia ir até ti beijar-te, provocar-te e fazer amor contigo, podia fazer qualquer coisa... mas já é tarde! Já não consigo porque não tenho energia para mudar nada. E também já não temos tempo. Cinema. Harry Potter que eu queria tanto ir ver mas que agora vou assim só porque nós vamos e uma parte do nós sou eu. Além disso sinto-me feia, este fim-de-semana não trouxe para tua casa roupas giras (e quentes) e o meu cabelo está nojento e estou gorda e só me apetece comer e comer. E tu provavelmente só vais ler isto lá para meio da semana e era hoje que eu queria a tua atenção!

Sábado, Novembro 26, 2005

Massagem Ayurvédica

Malta... ando a tirar o curso de massagem ayurvédica (é uma massagem indiana... ayur=vida, veda=ciência, sabedoria, conhecimento) e posso garantir que é um espectáculo! Não fazia ideia do que era, nunca tinha levado nenhuma mas como ando a aprender estas coisas e sabia que a coisa tava na moda... olha... fui, paguei e gostei! Ainda só vou no 1º de 3 mêses mas o pouco que já sei já dá para assegurar... é muito bom! Mete massagens com os pés e tudo! Muito óleo (a treta é o cabelo que fica todo besuntado na nuca...) e é (geralmente) feita no chão. Aconselho vivamente... de preferência daqui a 2 mêses que é quando a melhor massagista do Mundo e de S. Pedro vai começar a trabalhar nisso!

Terça-feira, Novembro 15, 2005

Late news

PÁREM! Vocês não me vão conseguir fazer mal... isto é só um sonho!
Estava condenada a sobrevoar o noticiário nocturno ao vivo, over and over and over. Esta noite, como as outras, resumía-se a centenas e centenas de mulheres estrupiadas, rasgadas, algumas ainda vivas que se contorciam e gemiam, sangue por todo o lado, vítimas do mais variado tipo de monstros imagináveis (junte-se todos os filmes de terror, misture-se tudo e depois é só tirar imagens e características de todas as criaturas...). Coisas indeterminadas perseguiam-me e eu mandei-as parar. Paráram. Mas nunca se foram embora... e eu... acordei. Fugi para o lado de cá só que o medo veio comigo. Muito medo com se tivesse 5 anos e como se tivesse 5 anos fui pedir asilo na cama da minha mãe.

Sexta-feira, Novembro 11, 2005

Perfume

Vem cá… agarra-me com força! Estou a cair. Sinto o amor escapar. Não é o teu… o meu amor… o meu amor pelo Mundo e pela Vida. Aquele amor que me aquece o coração, que me faz ser maior e melhor, perdoar sem olhar para trás, que me faz feliz de dentro para fora, que me faz amar-te a ti. Escorre lentamente por entre os meus dedos como se fosse um fluido viscoso… Este amor que estes últimos dias andava comigo como se fosse um perfume que nunca perde intensidade sem que eu precisasse de o agarrar...

O fantasma

Hoje de manhã fui ao ISA (a merda do Instituto que me comeu 11 anos de vida e que, não fosse eu decidir mudar de vida, se preparava para comer mais uns quantos). Engoli em seco e fiz-me à estrada enfrentando os meus demónios com a ajuda da minha motinha nova.

É estúpido um objecto ajudar-nos a enfrentar os nossos demónios… mas ela tem esse poder! Faz-me sentir independente como se fosse a minha primeira mota. Faz-me sentir corajosa como quando ia fazer queda livre! Faz-me sentir diferente (não é qualquer gaja que anda de 600) e especial (Eheh! Fico com uma granda pinta!). Esta mota dá-me todas as coisas que não sentia há muito tempo (tirando a semaninha anual de snowboard e outras aventuras pontuais e passageiras e claro, às vezes o meu namorado consegue fazer-me esquecer de tudo e eu volto, por instantes, a sentir-me assim).

Lá cheguei, depois de me ter enganado no caminho, como se não soubesse tão bem ir lá dar… (mente traiçoeira que tantas vezes conseguiu levar-me para casa, sempre para casa…) queria entrar pelo portão “lá de cima”, o que fica mais perto da saída de Monsanto da A5, mas agora já nem de mota se pode entrar sem pagar (só os alunos que entram de carro, e agora de mota também, é que têm de pagar… o que é muito lógico e justo… os alunos que já pagam as propinas é que têm de “contribuir para a manutenção deste espaço verde” e está à vista de todos… só quem entra de carro é que usufrui do espaço verde… lógico, perfeitamente lógico!). 1€! Ora toma lá que este estava a fazer muito peso aqui no bolso! Isto obviamente, depois de ter de fazer uma manobra de inversão de marcha, que na 600 já não é tão fácil (pois… mas decididamente vale a pena!), sair portão fora, descer por aquela estrada em tão bom estado que vai ao longo do ISA até cá abaixo, subir pela Calçada da Ajuda (acho) com as sempre tão cobiçadas linhas de eléctrico e subir o passeio de lado (será desta que caio?) para entrar no portão principal, que no outro não se pode entrar sem cartão (era 10€/ano… agora não sei nem quero saber!), parar a mota, tirar a luva, tirar a mochila, procurar o dinheiro, por a mochila, por a luva e esperar que alguém nos deixe entrar na fila. “Eu não quero esse papel para nada!” disse eu quando o Sr. me entregou o lençol “mas tem de o guardar!” olha… ele deve saber como vou gostar de recordar este momento tão agradável quando for arrumar os papéis da mochila mais logo!

Adiante… fui tomar um café porque quando passei na secretaria não estava ninguém a atender. Rapidamente percebo porquê… “Bom dia D. Palmira!” Não gostasse eu tanto da D. Palmira e não lhe fosse tão grata pelo carinho com que sempre me recebeu e até tinha ficado chateada por a encontrar a tomar café. Mas assim, também eu queria um e até foi bom não nos empatarmos uma à outra! “D. Palmira… não… não venho entregar o trabalho final… ainda não é desta… resolvi mudar de vida… vou fazer massagens… vinha cá só pedir um papelinho que dissesse que disciplinas eu já fiz”… “Não! Não tem nada a pagar! Também não tem qualquer valor… é só para se orientar, não é?”…

O que é que me acontece nestas alturas? Respondo que sim e trago para casa um papel que não me serve para nada! Venho com um papel que “não tem qualquer valor” por isso vou ter de lá voltar! “Não D. Palmira… queria um certificado ou qualquer coisa do género que servisse para alguma coisa, tipo… para o meu currículo…” uma frase… o que é que me custava dizer esta frase? Será que queria era punir-me mais um bocadinho… talvez por ter uma mota que não mereço? Ai andas feliz… toma lá! Vai lá ao ISA em vão para te lixares! Vá! E já agora tenta sair pelo portão por onde não te deixaram entrar… sim… repete a cena da inversão de marcha e quando ali passares do lado de fora daqui a uns largos minutos não te esqueças de apertar bem os dentes para controlares o impulso de ir insultar o homem e partir a porra da cancela que por 1 palmo de altura não te deixou sair! Pronto! Assim sim! Assim já me reconheço… estava a faltar-me a raiva, a pena de mim própria, a vergonha e a culpa!

Bem… de qualquer maneira, como não quero excluir a hipótese, embora remota, de acabar a porcaria do curso… vou ter de ir lá inscrever-me (hoje não deu porque não tinha o bolhetim de vacinas) e tenho de pagar as propinas (bolas… com o blusão novo – não podia continuar a andar com um blusão sem protecções… sou maluca mas nem tanto! – os cursos de massagens, as propinas, a mota… devo ter de desmobilizar algum investimento… preciso de cash! Ah! Pois… esta mota gasta mais um bocadinho!).

A caminho de casa desvio para a praceta! Vou candidatar-me ao lugar de empregada de balcão.
Vou mudar de vida e que se fodam a culpa, a raiva e tudo o que me sufocou todos estes anos! Hoje vou deixar o amor entrar!

Já em casa voltou tudo ao normal… estou aqui agarrada ao computador e apesar de estar sem net há 3 dias escrevo no Word para publicar assim que puder! Sinto muita vontade de comunicar com vocês! Tem-me feito muita falta expor o que me passa na mona nestes últimos dias.

Tchau!

Quinta-feira, Novembro 10, 2005

Eu e o outro eu

Parece-me que não te vou poder expulsar. Tenho de te aceitar como és e aprender a viver com esta parte de mim.

Sinto a amor a voltar

Sinto o amor a voltar. Sinto o calor no coração empurrar o frio que faz lá fora e é bom… tão bom! Em breve não vou precisar mais de ti, (in)fiel depositária do meu corpo. Não o soubeste amar e ele nunca foi o culpado das tuas dores… não andasse eu a pairar por ai, impondo a ordem de vez em quando, já teria 300 Kilos e fumaria 3 maços por dia! Continuas a comer o lábio… dizes sempre… “Não faço mais! Não faço mais!” e sei que o dizes com convicção mas já não sabes o que é estar sem mordiscar aquelas peles já soltas que ficam no canto da boca que torces em caretas feias para conseguir apanhar melhor aquele bocadinho que a nossa língua incansável encontrou.
Mas nada disto importa mais… eu vou voltar e o que ficou para trás ficou para trás! Não fiques preocupada… com estas palavras acertámos contas e já te posso perdoar… e sabes… eu amo-te!

Estrelinhas

Vem cá! Deixa-me agarrar-me a ti mais um bocadinho… Sabes… das minhas mãos saem estrelinhas que se enrolam em espiral à nossa volta. Não as vês? Não as sentes?

Terça-feira, Novembro 08, 2005

A minha mãe fez um chá.

A minha mãe fez um chá… juntou diferentes sabores e umas gotinhas de limão. A minha mãe gostou… eu não. Triste ela pensou… o chá é mau… Não é não! Não é não! Disse-lhe eu de coração… Ainda que o resto do Mundo o provasse e mais ninguém aprovasse… a teu gosto o criaste num momento de inspiração. E se alguém se atrever a julgar o seu sabor… ri-te para dentro e delicia-te com esse fruto do teu amor. (Obrigada por tudo!)

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

No more side effects!

Ah pois é... uma destas não volta a acontecer tão cedo... tenho de ter as unhas curtinhas para o curso de massagens!
Não tarda já vou poder começar a trabalhar! Às 5ªs-feiras, durante os próximos 3 meses, tenho curso de massagem ayurvédica e este fim-de-semana curso intensivo de massagem de relaxamento! Atenção pessoal... preparem-se que eu vou chegar! (voltar... vou voltar a viver!)

Side effects!

- Fogo! Grand'arranhão! Desculpa... Quando é que eu te fiz isso?
- Foi algures entre o 10º e o 11º...
(Ai que eu não devia por isto aqui!)

Segunda-feira, Outubro 31, 2005

Quero!

Sábado, Outubro 29, 2005

Teoria da ciberconspiração

(Há computadores que nasceram ruins… o ciberdestino determinou que passariam todos pelas minhas mãos!)

Isso são ganhos secundários!

Ganhos secundários?!!! (afinal querem que eu corra a maratona com a porra da perna partida!)

Desespero

I'm getting the hell out of here!

Desespero

Não quero morrer assim!

A comunidade

Tínhamos casado contra a vontade da comunidade que aguardava o regresso do ancião. Fomos obrigados a viver separados pois sem a autorização superior seríamos expulsos… seríamos?... Bem… Ele seria expulso da sua comunidade… eu regressaria à vida normal que tinha deixado para trás por amor. Dormia na rua porque não tinha lugar na casa de nenhum deles e esperava. Ninguém me falava, ninguém olhava para mim e não podia sequer falar com ele mas esperava… mas foi quando me tiraram as minhas cadelas que a coisa explodiu. O desespero de procurá-las, perceber que tinham sido levadas sem que ninguém me pudesse dizer nada… perceber que tinha sido aquela cabra! Onde é que estás sua puta?… Ai quando eu te apanhar… venha a merda da comunidade toda que me estou bem nas tintas… nem sei o que é que estou aqui a fazer… Ai estás aí? Espera aí um bocadinho… Vou desfazer-te minha vaca… não tinhas nada que me tirar as cadelas! Elas não fizeram mal a ninguém… (já estou quase agarrá-la… é só contornar esta mesa e…)
- Bom dia…. (o beijinho na cara quase lhe rendeu um murro…)
- Bolas! Agora que estava quase a conseguir limpar-lhe o sebo…
(Fugiu para sempre! Nunca mais vou poder vingar-me dela! Bater-lhe tanto até toda a minha raiva se esvair através do seu sangue… e agora o que eu faço com esta fúria toda?!!!)

Quinta-feira, Outubro 27, 2005

A queda!

Das minhas primeiras deambulações pela "blogosfera" marcou-me um texto que entretanto nunca mais tinha encontrado... sabia que era dalgum daqueles blogs que eu tinha linkado mas qual? Hoje voltei a encontrá-lo por acaso... é A queda das horas negras da Sónia.

NABA!

Devo ser a maior NABA nesta coisa dos blogs... (de resto no que toca a informática, tecnologia, política, socialite, etc, etc...). Queria partilhar com vocês que me visitam (até agora 381) uma música que ouvi ontem (pois... também sou um bocado desactualizada no que toca a músicas...) e que gostei muito! Chama-se Four to the Flour dos Starsailors! Queria arranjar um link de jeito, que passasse a música e tudo (fixe era que desse para descarregar!) mas isto foi o que se arranjou! Dá para só ouvir um bocadinho da música... espero que gostem!

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Estranho?...

Estranho?... Estranho é começar a fazer amor com o meu namorado e de repente dar por mim a fazer amor com outra pessoa... alguém com quem sentia uma grande intimidade... mas quem? Primeiro pensei que fosse um ex-namorado, claro! É o mais lógico... Mas não era nenhum deles... quem é que me estava a fazer sentir tão bem? Quem é me estava a deixar tão descontraida, tão à vontade? Ouvi o nome que ecoava mudo na minha cabeça... John... John...
Estranho?... Estranho é fazer amor comigo mesma enquanto eu sou outra pessoa! O John sou eu! Era eu... Fui eu durante vários anos da minha infância e adolescência, o que só por si é estranho. Eu era um rapaz naquele mundo inventado onde eu vivia quando estava sozinha.
Acabei a chorar... não é a primeira vez que o prazer me leva às lágrimas... mas estava acima de tudo muito baralhada. É uma grande confusão para os meus neurónios que andam mais loiros que nunca.
Quando o filme acabou fui à varanda fumar um cigarro... pensava porque seria eu o filme Being John Malkovich, conforme o resultado daquele inquérito que eu fiz há 2 semanas, tirado dum post da ensaimada... a resposta era obvia... o inquérito é da tanga, como todos os inquéritos deste tipo... é muito giro para a malta se divertir um bocadinho mas NÃO é para ser levado a sério.
Só depois de fazer amor é que percebi... coincidência de nomes à parte... o John era a minha marioneta, não era? E além disso essa coisa de entrar na cabeça de outra pessoa, a confusão sexual que isso causa e tudo... sempre tive a minha veia lésbica (virgem!)
Confusão! ... Com fusão! Fusão de sexos, de identidades!
Estranho?... Muito estranho!

Segunda-feira, Outubro 24, 2005

Quero!

Quarta-feira, Outubro 19, 2005

Não consigo!

Não consigo! Era só ir tomar banho, pegar na mochila e levar aquelas folhas A4 vazias de interesse às pessoas... A minha fotografia e o atestado de inútil!

O meu currículo para quem me quizer... tenho de ir trabalhar. Não posso continuar aqui a afundar-me e afundar-me e afundar-me. Trabalhar. Como toda a gente. Acordar, arranjar-me, sair de casa e ir trabalhar. Às tantas horas, xis dias por semana. Como toda a gente.

Tão difícil porquê?

(foto)

Segunda-feira, Outubro 17, 2005

Quero!

Não tenho...

Segundo um recente estudo Norte Americano, a fé, actuando como um ansiolítico, aumenta a esperança de vida. Por outro lado a religião incentiva e facilita a integração em comunidades, integração essa essencial ao bem estar completo do Homem.
Ai, como eu precisava dum ansiolítico!

Ele e ela (o meu blog não é tão grande mas também é giro!)

Ela: Passa-me ai uma t-shirt, se faz favor...
Ele: Qual é que queres?
Ela: Pode ser uma qualquer!
Ele: Toma.
Ela: Oh... Essa não!

Sábado, Outubro 15, 2005

Estou mesmo maluquinha!

Nestes últimos tempos quase toda a gente que conheço (e tenho conhecido muitas pessoas novas nos últimos meses) dá-me aquela sensação de "a tua cara não me é nada estranha". Consciente de não poder conhecer essas pessoas de lado nenhum, resignei-me a ignorar a sensação (isto depois de andar a partir a cabeça a pensar, informar-me sobre as pessoas e até perguntar-lhes directamente se a sensação não era recíproca... not! Vergonha). Ora, ontem foi o jantar de aniversário do Dorminhoco, habitante do meu Magnífico Novo Mundo, que estava cheiinho de gente que eu conhecia, gente que eu não conhecia e gente dessa categoria que eu acho que conheço mas sei não conhecer! Apresentei-me a todos e passei a vergonha do mês porque (as poucos fui-me apercebendo que) a maior parte daquela malta até me conhecia... Olha... acontece!

Poluição mental<>extreme pureza

Às vezes não consigo pensar...
Não consigo mesmo pensar!
Quando não é o nevoeiro denso de ruído ensurdecedor é o bombardeamento...
os mil pensamentos por milésimo de segundo sem continuação...
e sem fim!
Como frases não acabadas vindas de todo o Mundo ao mesmo tempo...
sussurros desordenados e indecifráveis.

São as portas da minha vida... muitas vezes nem as vejo... ou aparecem à minha frente sem maçaneta e de repente... BUM! Só tenho portas em cada uma das direcções que olho... portas, portas, portas, portas,... todas iguais, à minha frente, à minha volta, em cima e em baixo, por dentro e por fora, tenho portas a sairem-me pelos poros da pele, pelo bafo da respiração, portas a dançar à minha volta. E fico ali em pânico a olhar para tanta porta e não consigo abrir nenhuma! Sento-me e choro e espero. Peço socorro. Mas a resposta vem em forma de mais portas...

Depois passa e volta o nevoeiro... perfiro o nevoeiro... é mais calmo, só que o nevoeiro é um potente acelerador do Tempo. Quando o nevoeiro se instala tudo acontece à minha volta e eu vivo em câmara lenta. O Tempo deixou-me para trás. Bela Adormecida! O príncipe chega e beija-me e eu até me levanto, mas é tarde... a minha vida não me acompanha. A minha alma não sobreviveu ao nevoeiro.

(eheh... quando ando no meio do nevoeiro fico com uma mente tão pura, tão pura, que é um autêntico balde de água destilada!)

Quinta-feira, Outubro 13, 2005

Tela em branco

Como uma tela em branco...
um velho piano abandonado...
um pensamento nunca dito...
o meu coração sempre aflito,
escondido no escuro de um canto,
teme ser esquecido, ignorado
e nunca mais amado!


(escrito noutros tempos)

Pedaços animados de carne podre

Morro mil vezes por dia mas continuo viva sem nunca ressuscitar.
Se a esperança é a última a morrer como é que ainda rondo os vivos?
Acordo, como, bebo, como, durmo. Até namoro, até rio, mas acho que pouco falta para me começarem a cair pedaços de carne podre.

Quarta-feira, Outubro 12, 2005

Parabéns ao Dorminhoco!


Um beijinho muito grande para ti se por acaso por aqui passares! Conte muitos! Aaaaa... não!... Desconte muitos, né? Doi um bocado mas por enquanto é só mania... Quando já não conseguirmos limpar o rabo sozinhos é que teremos legitimidade para lamentos... Valha-nos uma boa enfermeira... eficiente e... paciente! Esta pode ficar já para ti mas aproveita-a agora, daqui a uns anos quem sabe não estamos nós em melhor forma que ela! Beijocas

Estas são para ti "mori"

Sobre ti...
He is a Man
You have yourself a perfect gentleman and a total keeper
Your guy almost always acts appropriately
He's probably even very upstanding when you're not around
There's no boy left in your boyfriend - he's all man!

mas melhor ainda...

Sobre mim...
You are a Great Girlfriend
When it comes to your guy, you're very thoughtful
But you also haven't stopped thinking of yourself
You're the perfect blend of independent and caring
You're a total catch - make sure your guy knows it too!

Lá no fundo, no fundo...

Your Element is Metal

Your power colors: white, gold, and silver
Your energy: contracting
Your season: fall.
You are persistent (and maybe even a little bit stubborn).If you see something you want, you go for it.You have a lot of strength, and it's difficult to get you down.Very logical, you tend to analyze everything going on in your life.

What Element are you?

Como sou touro até podia ser... teimosa, forte, terra-a-terra... faz sentido só que não me sinto nada forte... vou-me abaixo com o mais pequeno obstáculo e pronto... dourado e prateado não são definitivamente as minhas cores de eleição! Quanto ao Outono... basta ver o meu post de há 2 dias...
Já a energia "contracting"... deve vir do meu estômago!
eh! eh!... repeti o quiz e mudei algumas coisinhas em que tinha hesitado e... deu a mesma coisa! Sou mesmo forte e persistente... fixe!
Fui lá mais uma vez... é aquela parte em que perguntam que sabor me está a apetecer... sweet and sour (hummm), spicy salsa, (hummm) e também perguntam que férias eu perfiro... ora deixa cá ver... snowboard, claro! mas não passava sem a minha semaninha a bezerrar na praia e por outro lado não posso deixar de lado os desportos aquáticos... mas olhem... lá quem engrendou aquela coisa sabia o que estava a fazer... continuo metal!

Curiosa por uma curiosidade!

Your Life is Like
Being John Malkovich
What John Cusack movie are you?
Engraçado... ainda hoje disse ao meu namorado que gostava de ver este filme... temos de tratar disso! Estou curiosa! (Ainda por cima ele disse-me que o filme era estranho...)
(Não sabia que o Cusack entrava no filme... tenho mesmo de ver!)

O meu avô...

... acrescenta sempre 10 ou 15 minutos às horas... e diz as horas sempre da forma mais dramática, tipo... "são 10... (pausa para o pânico...) menos 25", o que afinal quer dizer que ainda nem sequer são nove e meia!

Doce roubado

Roubei-te Rita... desculpa não resisti. Gosto muito de tudo o que já li no gxxvn mas este post pediu-me muito e eu não consegui recursar...

Doce

Chamavas-lhe doce. E ela ficava a olhar para ti com cara de parva. Tu sorrias e reafirmavas. E ela abria muito os olhos. Já tinha tentado sentir algo de doce no seu corpo mas o objectivo nunca era alcançado! Doce. Dizias. E depois de te divertires com as suas expressões, explicaste finalmente:- Doce é o que tens aí no meio, do lado esquerdo.E ela procurava.- Não podes provar, não tentes. Não é preciso. Ninguém é doce porque quer, é porque as pessoas que lhe descobrem tamanha qualidade o merecem saber. E tu conseguiste mostrar-me tanta doçura...

Terça-feira, Outubro 11, 2005

Não, não e não!

O meu blog não tem música, mas é de propósito, não tem nada a ver com o facto de eu não saber pôr cá música, tá? Eu não quero música porque quando ando a ler outros blogs, fico sempre muito atrapalhada e sobressaltada quando de repente... estou eu toda concentradinha a tentar entrar na mente dalgum blogo ou bloga e tunga... começa uma música qualquer que me faz saltar da cadeira. Depois, independentemente de gostar ou não da dita música, não consigo ler... Pois... também não consigo andar e comer pastilha elástica ao mesmo tempo... Ah!... e a dificuldade que tenho em acertar na boca a comer gelado...

Segunda-feira, Outubro 10, 2005

Desespero

Alertou-a o cheiro a queimado... em breve o crepitar da madeira a arder, o fumo intoxicante, o calor desconcertante... começou a correr mas uma parede de labaredas vedou-lhe a passagem. Desesperada continuou a correr às voltas, a tossir com o fumo, confusa, cansada, assustada, sem esperança, estava rodeada, o fim era certo. Não havia estratégia a seguir... não conseguia ver nada à volta, não conseguia raciocinar. Talvez fosse só saltar num determinado sítio e sair dali provavelmente com o cabelo queimado e a pele chamuscada... talvez, mas ela não via nada.
Várias pessoas gritavam do lado de lá, elas conseguiam ver e queriam salva-la mas a confusão, o fumo, o medo não a deixavam entender o que as pessoas diziam. Nem conseguia perceber de onde vinham as vozes...
O resto conto depois, que também ainda não sei.

...eu gosto é do Verão...

(suspiro)
Adeus Verão!
Agora só para o ano, a não ser que me pire daqui para o Sul, muito Sul.
Adeus aos bikinis, aos pareos e adornos pirosos que pintam o Verão de cor e alegria.
Adeus à pele. Aos corpos bronzeados, aos músculos. Adeus às boazonas que recheam as praias de luxuria e tentação. Adeus às miúdas com as suas conversas de adolescente que ficamos toda a tarde a ouvir e a matar saudades. Adeus ao calor, ao suor, ao sal.
Adeus às bolas e ao gajo que vinha sempre buscá-las e pedir desculpa. E por falar em bolas... não podia faltar o adeus àquelas bolas, com ou sem creme, que gosto das duas maneiras, fritas no dia, cobertas de açucar e de pecado!
Adeus aos mergulhos do Hamburguer.
Adeus às rochas, às algas, aos peixes e polvos e estrelas-do-mar.
Adeus aos dias que nunca acabam.
(...como é que uma gaja pode não andar deprimida?!!!)

Domingo, Outubro 09, 2005

Tens a certeza?

"...espero que a dor te faça reagir..."
Tens a certeza? Acabar contigo e comigo é a única reacção que consigo ver.

Ilusão

Talvez no leito de morte perceba que foi tudo uma ilusão... A nave nunca chegou, Nossa Srª falhou! Pode ser que nessa altura pareça que não valeu a pena, mas a felicidade esteve lá nos outros dias a sorrir-lhe. Talvez morra num acidente e nem tenha tempo de se aperceber de nada.

Sortuda!

É uma pessoa normal. Elegante, bem falante e apesar dos efeitos insuflados da cortisona e da idade avançada é uma pessoa bonita. Conheço-a desde que nasci. Acredita que um dia Nossa Srª vem buscá-la numa nave espacial. Passou um mau bocado mas ultimamente tem andado radiante. Parece que esse dia está próximo.
Leve-me consigo, tia, por favor!

Domingo, Outubro 02, 2005

Eu também...

A minha avó hoje disse-me: "Sabes... às vezes tenho saudades tuas... saudades de te ver entrar rosada e animada..."
Eu também!

Quinta-feira, Setembro 29, 2005

Continua?

A agulha caiu da mão. Era pesada demais...
O saco rasgado vertia lentamente tudo o que uma vida contém. Já não há tempo para coser.
Quis abraçar a sua vida uma última vez, talvez apanhar algum pedaço, conseguir salvar alguma coisa e os braços aguardavam ansiosos por uma ordem que não foi dada. Guerreiros frustados! Não entendem que nada adianta salvar migalhas.

Sexta-feira, Setembro 23, 2005

Satélite

Já cá tinha vindo abaixo algumas vezes mas realmente este ar é muito pesado para mim... vou voltar para a minha órbita!

Sem contactos e sem fé!

Eles não percebem como é difícil só decidir telefonar... como é uma luta interna que eu sei ser completamente desadequada. Mas aperta-me o estômago, dá-me dores de cabeça, fico nervosa e com vontade de chorar... um simples telefonema... depois tento falar com uma voz calma, simpática... só para me dizerem... "Não... a Sra Arquitecta... é muito difícil falar com ela! ... se o assunto é esse o melhor é escrever-nos um mail... pois... já mandou um mail em Maio... sim... não responderam... então escreva ao Presidente a expor a situação..." e eu... "sim... obrigada... eu vou então escrever... podia dar-me o contacto, por favor?" e obtive a brilhante resposta "escreva ao Presidente!" Fixe! Até aqui já tive de telefonar para lá à procura do 1º contacto que me tinham dado mas que já não trabalha lá... ainda fui à procura do dito 1º contacto mas a resposta foi "... já não trabalho lá... não posso ajudá-la, mas dou-lhe o contacto de quem me está a substituir". O 2º contacto já foi de fim de semana e o 3º, que eu consegui através do marido duma prima que lá trabalha... "é muito difícil falar com ela..."! Bolas! Porque é que tem de ser tão difícil, ainda mais difícil? Mais uma semana! Eles não sabem mas demorou 3 semanas para eu conseguir fazer isto... entre a falta de coragem e não conseguir que me atendessem e as pessoas não estarem... 3 semanas! E esgotei os contactos! Pior... esgotei a (pouca) força para me mexer e com 2 mêses para entregar o trabalho... não tenho fé!

Não tenho...

Basta!

Não é nada romântico o que vou dizer... eu tentei guardar para mim e poupar quem por aqui passasse desta realidade... mas não foi possível. Cá vai: Andar de mota devagar faz doer o rabo! Não me perguntem porquê... acho que é a pasmaceira... uma pessoa fica ali muito quietinha, quase adormece e não muda de posição durante muito tempo. E pronto... ainda não cheguei aos 800Kms de rodagem mas para mim basta! Um valor mais alto se levanta... Acho que o meu rabo é um valor mais alto? Não achas?

Quinta-feira, Setembro 22, 2005

Meia-hora!


Meia-hora! Deixaste-me para ires tomar banho... Armadilhaste a bomba e fugiste. Como é que podes estar a fazer isto comigo?!!... Não percebes nada? Eu não percebo nada, mas era suposto seres tu a guiar o nosso caminho. Não te vou pressionar, dizias tu. Em meia-hora imaginei agredir-te das mais variadas maneiras... Dizias que não ias ligar aos meus stresses... Sempre te imaginei a olhar lá de cima para nós perdidos no labirinto. Claro que não estavas preocupado enquanto eu tentava inutilmente empurrar as paredes para que me saissem da frente. Já sabes que não podes pegar-me ao colo e levar-me daqui. Mas daí a vires perguntar-me o caminho?!!! Como é que podes assustar-me assim e depois deixar-me sozinha a pensar? Dizias que não podias abandonar-me aos meus pensamentos... dizias. Não sabes que eu não sei? Não sabes como estou armadilhada até aos dentes com tudo o que tenho à mão para me atacar? Não sabes que és uma das minhas armas? Uma das mais poderosas? E vens desafiar-me a usá-la? Meia-hora com o dedo no gatilho! Depois vieste desarmadilhar-me e pronto, ficou tudo como estava. Afinal de contas não faz sentido deixares-te contagiar pelo meu medo... tu que estás a ver tudo lá de cima.
(foto de filipa mateus paredes e tectos em olhares.com)

Quarta-feira, Setembro 21, 2005

Estou zangada com J. K. Rowling!

Zangada... é pouco: estou Furiosa! Não vou entrar em promenores... para não estragar as coisas a quem ainda quer ler o livro, mas estou tão lixada com a porcaria do último Harry Potter... que raio de fim! Furiosa!

Até amanhã sem razão!

Estes são os meus crimes contra mim... os meus crimes contra ti... contra nós?
Lanço à terra sementes amargas. De dia só como e à noite desafio o sono para que amanhã me sinta ainda pior. Gorda, feia, inútil, cansada, sem forças. Talvez amanhã tenha uma razão para me sentir mal. Amanhã não será só porque sim! Um telefonema, visitar uma amiga ao hospital, mais um telefonema, uma caminhada, mais um telefonema... cada dia mais uma coisa devia ter sido feita. De dia como e à noite desafio o sono... não é insónia... é vingança!
Estes são os meus crimes contra mim... os meus crimes contra ti... contra nós!
Sei o que faço mas não consigo controlar... não tenho forças... sinto-me mal... até amanhã sem razão!

Ainda bem!

Ainda bem que esta semana não tenho terapia! Posso fazer montes de coisas ao final da tarde! Posso ir passear com as cadelas... andar de patins... combinar 1 café com alguma amiga ou algum amigo que já não vejo há muito tempo... posso continuar a trabalhar sem interrupções se estiver lançada... Tantas coisas! Fixe! Só é pena não me apetecer fazer nada!

Segunda-feira, Setembro 19, 2005

Hoje!

Hoje não gosto!Não gosto e nem sequer consigo imaginar que alguma vez tenha gostado. A própria ideia indigna-me, e ofende-me que tenhas pensado que eu podia gostar e querer ainda que ontem to tenha pedido!

Domingo, Setembro 18, 2005

O meu lado esquerdo e o Verão de 2005 (continuação)

Eu sei que isto não interessa minimamente, mas ainda me doi o dedo grandão quando meto mudanças! Ah... tenho de acrescentar à lista uma bolha gigantesca no mesmo dedo grandão que fiz, ainda em Agosto, quando fui para o Algarve sem sapatos, quer dizer, esqueci-me dos ténis e acabei por ir parar à Casa do Castelo (1ª e última vez... só porque aquilo fechou!) de havaianas, com as quais ando lindamente mas para dançar é que é pior! Bolha, pele queimada (mais tipo calcinada mesmo!), dor!

Sexta-feira, Setembro 16, 2005

Perfeição

Acho que não devia ser preciso dizer... mas a perfeição não existe!
Para atribuir a alguma coisa a classificação de PERFEITA teria de ser nomeada uma Comissão de Avaliação da Perfeição cujos membros seriam (espera-se) peritos na matéria... Depois era necessário elaborar uma lista de Critérios de Atribuição da Perfeição e um Guia de Interpretação dos Critérios para esclarecer uma metodologia de aplicação e garantir, o mais possível uma atribuição justa da classificação de Perfeita. Então as candidaturas das coisas seriam propostas a um Júri imparcial, incorruptível e perfeito... e se até aqui alguém tinha visto alguma possibilidade deste processo poder decorrer... espero que agora não restem dúvidas!

Como é que é possível?!...

Tem sido difícil e um "bocadinho" aldrabada, mas tenho andado a fazer a rodagem à mota...
(teve de rectificar o cilindro e levou um piston novo, entre outras coisas como a embalagem de óleo novinha que o mecânico me convenceu a levar para casa... não sei porquê mas tudo isto aconteceu depois de ter bloqueado a roda de trás na auto-estrada...)
...e apesar de durante algum tempo (pois... não aguentei mais do que 1 ida a Lisboa) não poder passar dos 70 (claro que ía a 80!) ainda assim consegui ultrapassar vários carros (vários não é um coisa bem definida, assim... pelo menos... mais de... 2!) pela DIREITA!

Terça-feira, Setembro 13, 2005

Sábios de nascença?

Várias vezes tenho deixado aqui perguntas abertas mas quase nunca me respondem... pois deixo aqui mais uma direccionada a todas as pessoas que têm um irmão mais velho...
Vocês também sempre a sensação que o "cabrão" do gajo sabe tudo sobre tudo?

O meu avô...

...decora os nºs das estradas por onde passa regularmente e fica muito satisfeito quando pode partilhar esse conhecimento com alguém!

Sexta-feira, Setembro 09, 2005

A razão e a capacidade de argumentação...

...deviam andar sempre juntas!

Quinta-feira, Setembro 08, 2005

Condutora chorona

Os meus olhos enchem-se de lágrimas e sinto uma infinita felicidade que confundo com tristeza, ou tristeza que confundo com felicidade, sei lá... quase sempre que páro para facilitar uma manobra a alguém ou faço outras "boas acções" banais que faço sempre que posso (é uma questão de estar atenta às necessidades dos outros... e até é bastante frequente, o que faz de mim uma condutora muito chorosa, porque quando não estou comovida comigo mesma estou enervada com algum imbecil que cruzou o meu caminho, tendo como resultado prático a mesma cena das lágrimas a cair cara a baixo). Queria poder tirar uma brilhante elação deste facto mas não faço puto ideia do que é que se passa. Lembro que este assunto até já foi falado lá no grupo (terapia? análise?... sinceramente não sei o que estou lá a fazer... não sei o nome, quero dizer!...) e a conclusão/hipótese de compreensão até fazia sentido mas esqueci-me qual foi. Porquê? Fica para outra vez que eu agora estou atrasada para lá ir perguntar se alguém se lembra da resposta para poder saber porque a esqueci.

Amigas, perdões e outras questões

Podíamos já não ser amigas há tanto tempo... tinha sido tão fácil... tantos motivos de afastamento... um único de união... Cada nova vez que estou com ela reforço a convicção de ter tomado a melhor opção há quase 10 anos quando lhe disse: "...deixa lá... namorados vão e vêem, amigos são para sempre!" E para sempre continuaremos amigas e ainda bem. Adoro-a. Com 7 ou 8 anos ensinou-me o que era perdoar e eu retribuí com 20. Não foi uma troca pensada... toma lá dá cá... foi o meu coração que teve uma boa professora e uma boa lição. Não posso dizer que foi fácil... mas foi uma das melhores coisas que fiz e tenho medo de nunca mais ser capaz de voltar a fazer. O perdão é uma experiência maravilhosa que cada vez tenho mais dificuldade em alcançar. O cérebro dá a ordem... perdoa... mas o coração é rebelde, indomável e guarda bocadinhos de dor embrulhados em papel de orgulho para oportunamente os oferecer. Talvez tenha novamente de magoar alguém para que o seu perdão me sirva de exemplo... de facto não me tenho sentido muito perdoada ultimamente... nem poderia porque eu sou a primeira a não me perdoar por tudo o que me tenho feito. Talvez seja essa a raiz desta dificuldade em perdoar os outros... não consigo vivenciar o perdão porque tenho de começar por mim e ainda não consegui. Talvez...

Este fim-de-semana a tua mãe disse-me...

"...boa ideia pôr o meu filho a andar!" e eu vou obedecer... vamos andar muito!

Sexta-feira, Setembro 02, 2005

A felicidade e o balão vermelho

Eu sei que não devia andar "a perder tempo" perdida nesta coisa dos blogs... mas já que li uma coisa que gostei queria partilha-la com todos, correndo assim o risco de denunciar as minhas distrações... Está em um pouco mais de ti (tenho link) e é um post de 30.08.05 sobre a felicidade e a nossa percepção dela. Às vezes podemos precisar dum empurrãozinho para podermos gozar o que de bom a vida nos dá e o contacto com as crianças é uma maneira optima de o conseguir! Hoje já não me sinto de rastos, apesar de ter passado a manhã quase toda com o puto. Aliás... gostei imenso de brincar com ele. Bem... claro que os super mimos super especiais que levei ontem também ajudam um cadinho... :b e depois é deixar as coisas boas entrarem, inundarem-nos, alimentarem-nos... deixem-se invadir por coisas boas... como um balão vermelho.

Será? Ou foi só um sonho...

É claramente o caminho para ti! Porém a penosa subida associo mais ao meu curso. No fim a recompensa é enorme. Sinto que simboliza o meu desejo de ser feliz contigo e acabar a "#$%@£" do curso!

Aquela estrada

Não fazia ideia que Lisboa era tão bonita vista daqui de cima! Daqui das montanhas... Lisboa parece uma vila pictoresca encaixada no meio do vale verdejante com ricos campos cultivados bordejados por árvores... O Tejo é o riacho que alimenta os campos. Não se ouve daqui, mas quase lhe sentimos a doce cadência das suas pequenas cascatas. Valeu o esforço! Pedalar até aqui foi muito difícil. A estrada é muito íngreme e longa. Para cá chegar é só preciso adormecer e apanhar aquela estrada que sai da 2ª circular, antes do aeroporto e seguir para Norte, sempre a subir. BOA VIAGEM!

Quarta-feira, Agosto 31, 2005

Até ao próximo milénio!

De rastos. Foi o meu sobrinho! Foi o raspanete que levei da minha mãe ontem! Foram as 4 horas de sono! Foi o peso do trabalho final sobre os ombros! Foste tu que só agora respondeste aos meus apelos... mas agora é tarde para uma resposta tão fraca. Não vais lá assim... não adianta dizeres que sou irresistível depois de me resistires... nada! Tou de birra até ao próximo milénio! Txau!

Pesadelo

Tive mais um pesadelo. Havia uma parte da cidade deserta, fria, funda. Do meio das ruínas vieram as almas que nos tiravam o ar. Não se viam mas estavam lá. Passavam de um lado para o outro e nós não as podiamos ver com os olhos do corpo mas era como se as víssemos. Sei que não aconteceu nada de mal e que nós continuávamos a voltar àquele lugar mas não me lembro de muito mais. Não tive tempo de ficar a pensar no sonho quando acordei para melhor o poder contar... tenho a sensação que foi muito longo e rico.

Mães coragem

O meu sobrinho de 4 anos está cá a passar uns dias em casa com a minha mãe. Hoje passei hora e meia com ele a brincar enquanto a avó fazia umas coisas... hora e meia. Cheia de sono, nem corri, nem pulei, nem gatinhei. Só a prestar atenção às brincadeiras dele e a responder o mínimo por ele tolerado. Agora que acabou o "recreio" vim para o meu quarto para procurar uns papeis muito importantes para o meu trabalho final mas descobri que estou sem força para enfrentar o caos. Hora e meia. Fiquei de rastos... Como é que as mães fazem? (agradeço respostas!)

O meu lado esquerdo e o Verão de 2005

Vamos lá contar as maselas todas que o meu lado esquerdo sofreu este Verão...
1º Levei um pontapé no pé e estava de havaianas. Fiquei com os 2 últimos dedos a doer tanto que os julgava partidos. Depois ficaram negros durante 3 semanas. Por esta e por outras nada de saltos altos até ao fim do Verão...
2º Desloquei o polegar para trás e tive de o puxar para a frente com a outra mão. Não ficou a doer por ai além mas assustou-me. De vez em quando sinto uma coisinha.
3º Dei um pontapé numa mala de chumbo que estava no meio do caminho mas eu não vi porque estava às escuras e eu ia a correr para a porta descalça. Fiquei com o dedo grandão a doer tanto que o julgava partido e negro durante 2 semanas. Doía-me com a trepidação da mota e não conseguia por as mudanças na mota.
4º Torci o mesmo dedo grandão para trás a jogar raquetes na praia. Juro que pensei que tinha partido o dedo que até então devia estar só rachado.
5º Fui picada por um peixe aranha e fora a dor estúpida que passou relativamente depressa, ainda tenho um nódulo que quando carrego doi e já lá vai bem mais que uma semana.
6º Várias nódoas negras no tornozelo e braço (pronto... se calhar não devia contar... foi dos dois lados!) que consegui com as aulas de Windsurf (que fixe... adorei! I Love Tarifa! Não à auto-estrada!).
7º Consegui arrancar um bocado de tinta do portão que ficou alojado por baixo da minha unha do... mesmo dedo grandão! Felizmente não foi fundo... parti um bocado a unha mas não chegou a espetar na pele (ganda sorte ter perdido o meu corta-unhas!).
8º Ficava bem era agora dizer que tinha levado uma facada no coração... mas é tudo fita!

Satélite

A minha avó hoje disse que eu era um satélite... ando às voltas, às voltas e nunca mais pouso na Terra.

Feia

De um momento para o outro perdi toda a graça. Fiquei desengonçada a andar... não sei como é que se faz aquele sorriso que te contagia... aquele olhar insinuante. Feia e ridícula por alguma vez ter acreditado que alguém me podia achar linda! O peso da vergonha sobre os olhos. E tu a gozar o prato... tanta corda me deste para me enforcar... agora colhes o proveito de tanto esforço. Agora que te quero...

Zangada

Zanguei-me contigo porque me atrasei.
Atrasei-me porque demorei muito tempo a arranjar-me.
Demorei a arranjar-me porque me sentia feia (ainda sinto... só que não está aqui ninguém para ver!).
Acho que me sentia feia porque me zanguei contigo ontem quando não arriscaste deitar-te 1 minuto ao meu lado e negaste-me o sonho de fingir que dormia contigo. Resististe-me... como te atreves?!... O que vai ser de nós se para ti não sou irresistível?

Terça-feira, Agosto 30, 2005

Assim não dá!

Vens tu para aqui racionalizar os meus stresses... como é que eu posso ficar triste à vontade?!...

Segunda-feira, Agosto 29, 2005

Agora

Bom ou mau?
Tanto ou tão pouco?
Dor ou prazer?
Dor mais prazer?
Agora sinto o que se traduz por uma palavra sem tradução.
Com ou sem continuação.
Agora sinto.
Agora saudável.
Agora saudade.
(17 Agosto 2005)

Segunda-feira, Agosto 15, 2005

Presente

Ontem um amigo meu disse-me: "As pessoas más quando saiem da tua vida é um presente que te dão." Eu devia ficar contente, e na altura até pensei ser melhor assim, mas que fazer se eu também gosto das pessoas "más"? Se elas também fazem parte da minha vida e ocupam os seus lugares no meu coração que é cegueta e não tem discernimento... Perdi uma amiga. O meu amigo pensou: "Ela nunca foi tua amiga..." Mas não consigo deixar de sentir que perdi uma amiga e de ficar triste por não poder continuar a sair com ela, a trocar risos e desabafos, mesmo a irritar-me com ela. Passámos muitos e muito bons momentos e eu tenho saudades.

57

Ontem os meus avós fizeram 57 anos de casamento!

Domingo, Agosto 14, 2005

1-1=2

Ao princípio éramos 1. Eu cresci, formei-me e tive de me separar dela. Pela primeira vez há 30 anos e depois em doses moderadas devíamos ter feito o desmame uma da outra. Mas as rupturas eram muito dolorosas e fomos adiando o que não sabiamos ser inevitável. Agora a minha mãe parece que ainda não acredita que eu sou uma outra pessoa.

Sexta-feira, Agosto 12, 2005

Psicologia barata

Atormentam-me violentamente os cães abandonados. Diz a psicologia barata que assim é porque eu me sinto abandonada, e que quando eu resolver a minha condição vou cagar nos animais abandonados e sofredores... eles que se desenrasquem!

Quinta-feira, Agosto 11, 2005

A pessoa mais feliz do Mundo

What have I done?
The sun is here already,
But light I see none,
Everything’s... all so steady...

This body I bury no longer can choose,
This body I caried had nothing to loose,

The choice had been mine,
But this feeling I bread,
Made me cross the line,
So I cry, as I die and I’m... dead!

Este foi escrito pouco depois do outro, devia ter 13-14 anos e continuava a sentir-me a pessoa mais feliz do Mundo!

A pessoa mais feliz do Mundo

My eyes aren’t crying,
The pain is too much,
My soul feels like dieing,
My hands have no touch.

So please tell me God,
Do I deserve this?
My eyes aren’t crying,
But my heart is.

É um bocado infantil...
Ou é adulto demais para uma míuda de 10-11 anos?
Uma coisa é certa... eu consideráva-me a pessoa mais feliz do Mundo. Vá-se lá entender uma coisa destas!

Quinta-feira, Agosto 04, 2005

O meu avô...

...segura no comando da tv com a mão esquerda e carrega nos botões a medo com o indicador direito, como se estivesse a mandar um míssil.

Quarta-feira, Agosto 03, 2005

Tretas

Já consegui telefonar ao mecânico... há 14 dias que ando para marcar a revisão do carro que tinha de levar à inspecção até ao fim do mês (passado!). Já está! Não foi assim tão difícil... peguei no telefone, procurei o contacto do Sr. Aniceto, carreguei no botão e esperei... e lá falei com o Sr. que me pediu para ligar por volta das 19h para ver como é que estão as marcações. Provavelmente já não vou ter o carro pronto para o weekend, provavelmente vou sem inspecção para o Cadaval na 6ª-feira porque não posso levar as cadelas no carro dos meus avós e também não as posso deixar em casa... os vizinhos não gostam muito do coro estridente do uivo delas à noite e a minha mãe está nos Açores. Esta semana quase não posso sair de casa à noite por causa das cadelas. De dia também devo estar mais presente porque sem a minha mãe nem a Maria (que foi com ela) os meus avós esperam um apoio extra da minha parte. Vou também ter de cuidar das cadelas sozinha... dar comida 2/dia (desde que foram esterilizadas já não posso deixar-lhes a comida para irem comendo e tenho de ficar a ver para uma não ir roubar comida da outra, limpar o jardim, dar o letter à noite ao meu ursinho (tenho uma cadela muito letrada... não, estou a brincar, o letter é para a tiróide), dar mimos e atenção... Seca! Seca para mim e seca para quem teve a infeliz ideia de vir ler isto. A todos as minhas sinceras desculpas.

Terça-feira, Agosto 02, 2005

Antes e depois?

Antes levavas-me a casa, convidavas-me para jantar, passeavas comigo como se eu fosse preciosa, abraçavas-me como se me pudesses proteger de todos os males do Mundo, olhavas para mim como se me amasses incondicional e intemporalmente...

Segunda-feira, Agosto 01, 2005

Gulosa

Ao longo do dia vou tirando bocadinhos de fim-de-semana que guardei nos bolsos...
Devagar, com os olhos fechados, saboreio languidamente um pedacinho de areia, uma palavra meiga, o barulho das folhas das árvores a abanar ao vento, um olhar doce e uma colher de gelado, a cara no lençol, um beijinho, uma pipoca e um raio de Sol...
Pensei deixar para amanhã uma gargalhada e uma dentada no pescoço,
para o outro dia um mergulho, o vento na cara e uma flôr...
e para o resto da semana a molesa melosa de um abraço prolongado, um gemido, vozes de criança, o calor da pedra onde nos deitámos e um espreguiçar, pedacinhos de plástico colorido e um beijinho na barriga, mas sou tão gulosa...

Pescada

Foste tu que me deste a vida
nas tuas águas aprendi a nadar
com os peixes jogava à apanhada, mergulhava com os golfinhos
e às escondidas nas grutas com carangueijos e cavalos marinhos
nas tuas águas dancei com as algas ao som ritmado das ondas
enfeitada com pedaços de coral, pérolas e conchas
nas tuas águas sonhei o dia em que fosse pescada...
Foste tu que me deste a vida mas ainda não quero voltar

Domingo, Julho 31, 2005

Pescada



Lançaste as redes ao mar e agradeceste-lhe por te ter emprestado a minha vida e por tudo prometeste devolver-me quando eu ficasse com falta de ar.

...expressões trocadas


...fugir com o rabo à fogueira (seringa! devo ser piromaniaca e não sei!)
foto de Maria José Dias em Olhares.com

Obrigada Marta! (salvação parte II ou o 11 de Setembro de 2004)

Pára… não telefones! Como é que eu posso estar a entrar voluntariamente na boca do lobo e ainda ostentar um sorriso nos lábios? – “… então encontramo-nos lá daqui a uma hora. Eu vou já andando porque estou com as minhas cadelitas e vamos a pé…” Assim não corro o risco de me entusiasmar. Levo as cadelas e depois tenho as de vir trazer a casa e tenho tempo de pensar o que é que quero. Não acredito que ele esteja disposto a trazer-nos a casa no Mercedes CLK ou SLK ou qualquer coisa, acho eu, não interessa… é um descapotável de 4 lugares que ele usa para engatar a loirinhas bonitinhas, queridas e ingénuas.

Bolas, mas também ainda é cedo de mais, se me ponho já a caminho vou ter de ficar imenso tempo há espera. Vou dar uma voltinha por aqui. Vou telefonar à Maria, ela deve estar a sair com os canitos dela. E assim vou montando a minha própria armadilha… palavra puxa palavra e o tempo passa e pronto… lá vou eu de carro para o Tamariz , afinal as cadelas também já passearam bastante e elas não gostam de barulho e confusão.

- “… onde é que estás?”
- “Ainda estou em casa… estou aí em 10 minutos.” Não acredito! Já passa da meia noite! Mas o que é que eu estou aqui a fazer? Bem… vou dar mais uma voltinha a pé para não ficar aqui especada à espera dele. Vou pela muralha até à Praia da Rata e volto para trás. Se lhe telefonar pode ser que ele ainda não tenha passado no Monte Estoril e vou com ele de carro, assim pudemos conversar um bocadinho a sós. Não! Não quero ser chata e estar a telefonar de 5 em 5 minutos! Vou voltar a pé para lá! Assim ele até tem de esperar um bocadinho por mim. Fica melhor!

Não vou telefonar… ele quando chegar liga-me. Vou passar ali pelo Deck, sempre me distraio. Não gosto de ficar aqui em baixo sozinha. Tenho vergonha. Também tenho vergonha de ir sozinha ao Deck, agora que estou aqui! Vou para o outro lado ver os carros passar. Onde é que será que ele costuma estacionar? Será que ele já foi andando para baixo?

Mas o que é que eu estou aqui a fazer? Devia era ter juízo e ir-me embora. Ele nunca mais vem. Ainda por cima vai estar com os amigos e não vamos poder estar um com o outro! E aquele Stallone, ou como raio lhe chamam… não posso com ele! Fica para outra vez. Combinamos amanhã, ou assim.

Só mais um bocadinho… deve estar quase a chegar… e eu preciso de o ver, ele faz-me sentir como uma deusa.

Vou ver só estes carros até que o semáforo feche… se ele não vier vou-me embora!

Mais um semáforo… também já esperei tanto tempo que mais um bocadinho não faz diferença. O que é que eu estou aqui a fazer? …

Resumindo… esperei por ele, entrei no carro só para conversar um bocadinho, ele deu-me distraidamente um beijo na boca pelo qual pediu desculpa (mas eu não me importei). Mas estava muito distante e disse-me que se tinha atrasado porque estava ao telefone com um amigo e não podia entrar no elevador (!), que andava muito mal e até tinha ideias suicidas, que quase tinha uma namorada e que tinha estado a dar na coca! O quê? Quanto ao elevador podias perfeitamente interromper por uns minutos a conversa; ideias suicidas… deixa-te disso, já deste provas que consegues o que queres da vida e vais continuar a conseguir por muito que o negócio agora vá mal e que as mulheres não te digam nada; uma namorada… tanto me faz, já que tu não és fiel e eu não quero nada de ti além de uma boa queca e elevar a minha auto-estima (o que aliás não está a correr nada bem!); mas a coca! Não acredito! Mas… mas… há quanto tempo? Três meses. Que estupidez! Dinheiro a mais! E agora já não há dinheiro e vais cortar… espero que sim!

Isto não está a correr nada bem. Devia era ir para casa. Já o vi, já conversei com ele um bocadinho, já vi que ele não me pode dar nada de bom, vou-me embora, não é? Não! Claro! Não podia fazer uma coisa acertada! Porque é que insisto em tentar? Já não vou sair há algum tempo, costumava gostar do Tamariz e como a namorada deve chegar entretanto espera-me uma noite muito animada!

- “Não, obrigada, não quero beber nada, estou de dieta!”

Estive à conversa com o irmão do André, com quem simpatizo imenso mas que nunca me lembro do nome, com o André e até com o Stallone e respectivas namoradas. Cheguei à conclusão que o gajo até é mais ou menos, a ex-namorada dele é que era um horror! Apareceu uma Stefanie, amiga e ex-amante do João (não somos todas?) que trabalhava no ramo da cosmética. Devia ser colega da ex-mulher dele. Acabou por me dizer que eu parecia ter trinta e… uma noite estragada, claro! VINTE E NOVE! TENHO VINTE E NOVE! Retribuí a gentileza dizendo que ela era muito simpática e que parecia a Cameron Diaz.

- “Vai uma unha para o pessoal!” diz o João enquanto eu seguro a minha 4ª vodka (que o André contou!). Vai uma unha... Já estou tão farta de estar aqui. Nem sei o que é que estou aqui a fazer. Sei que estou furiosa e aborrecida! E bêbeda! A miúda já chegou e o João chamou-nos para a pista lá de baixo. A caminho encontrei um colega meu do colégio, em estado semelhante ao meu e ficamos à conversa um bom bocado enquanto acabava o copo que tinha na mão e fumava uns tantos cigarros. Quando me fui embora para ir à procura do João já não conseguia ver nada! Agarrei-me a um gajo que pensava ser ele e quando percebi que não era cambaleei dali para fora e fui ao bar lá de cima continuar à procura e buscar a minha mochila. O Tamariz estava cheio e demorava-se para aí meia hora (parecia!) a percorrer o caminho de um lado para o outro. Ainda voltei lá a baixo para me despedir porque eles garantiram-me que o “Jean” estava lá e, de facto, agora com a pista mais vazia, lá o encontrei com a loirinha bonitinha dele. Despedi-me e fui vomitar para o carro!

Tenho nojo de mim! Sou tão estúpida! Porque é que eu me faço passar por isto? Porque é que eu vim sair com o gajo? Porque é que me descontrolei a beber? Está bem que antigamente aguentava quase firme umas 7 ou 8 vodkas mas agora já não estou habituada a beber! Está bem que estavam fraquinhas, pelo menos as primeiras (as outras já não faço ideia) mas devia ter tomado atenção ao meu estado e parado a tempo! Não consigo sequer sentar-me no carro! Tenho de ficar inclinada com a porta aberta e a cabeça de fora. Vou telefonar ao João para ele me levar a casa, afinal a culpa é dele!

Acordo a tremer convulsivamente e é com muita dificuldade que consigo agarrar no casaco e perceber como é que se abre e veste.

Acordo com o telemóvel a tocar. Está um lindo dia de sol e o João consegue convencer-me a ir lá a casa tomar banho e descansar um bocadinho. Argumento: o carro estava estacionado virado para Cascais, e apesar de serem mais não sei quantos Kms (não muitos), o caminho era mais a direito. Isso Ana… insiste na estupidez!

O melhor dos Joões recebe-me, dá-me banho, beija-me e leva-me para a cama. O meu João! Meigo, gentil e que nos faz sentirmo-nos a pessoa mais importante do Mundo. Enquanto nos beijamos e abraçamos deixo-me levar pelos sentimentos – “… tu és muito mais do que uma boa queca! É tão bom estar contigo!”. Podia apaixonar-me outra vez por ti João. Ajudava-te a deixar a coca, ajudava-te no trabalho, tu disseste da outra vez que tinhas mudado, que já não te dizia nada andares para aí a meter-te com miúdas, disseste que eu era muito especial para ti. É por isso que estou aqui contigo. Vais acabar com ela, que não tem qualquer importância, e ficar comigo.

Infelizmente a coca rouba-lhe as erecções e, além do roça-roça suficiente para ficar com comichões, tive satisfação zero!

Acordo esfomeada. Fui comer (claro que ele não tinha nada que eu pudesse comer que não me fizesse sentir ainda mais culpada!).

Acordo esfomeada. Agarro-me a ele e começo a beijá-lo, a provocá-lo. Salto para cima dele e sinto o efeito da provocação debaixo de mim. Boa! É agora! O efeito da coca deve estar a passar! Mas há qualquer coisa que não está bem… ele está distante, muito quieto… -“A Marta deve estar aí a aparecer não tarda…”.

Foda-se! Como é que eu posso ser tão estúpida! Visto-me e saio, outra vez furiosa. –“compreendes, não compreendes…?” “Claro! E tu compreendes que eu fique chateada, não compreendes?” não acredito que me vais deixar sair assim. Eu pensei que era especial. Pensei que ias querer andar comigo. Ainda não sei se eu queria andar contigo (tanga) mas tu tinhas de querer andar comigo! –“Compreendo!” Aquele mesmo ar de desculpa mas não posso fazer nada por ti que eu já conhecia doutras andanças e a mesma revolta invade o meu corpo. As memórias bombardeiam-me e o sofrimento volta todo de uma vez só. E eu mortinha por vir ter com ele… obrigada Marta! (12 de Setembro de 2004)

Sábado, Julho 30, 2005

Nave espacial especial

É tão giro quando me dizes "...eu não sei andar nisto!" como se eu fosse um nave espacial cheia de botõezinhos e comandos e manípulos indecifráveis. Uma nave espacial imprevisível e especial.
...os teus olhos estavam atrás do meu reflexo nos óculos escuros.

O meu avô...

...desliga o telefone a correr quase sem se despedir das pessoas.

Quinta-feira, Julho 28, 2005

...expressões trocadas

...arranjar lenha para me coçar (sarna... é sarna!)

Flash...

Vi um tipo a atirar-se para cima do meu carro. Foi tudo muito claro... era um rapaz, cabelo aloirado encaraculado curto, calças de ganga claras e curtas, t-shirt preta e ténis da moda. Era encorpado mas com uma má postura, assim tipo meio corcunda, com pescoço pequeno e omoplatas deitadas para a frente. Nós não íamos muito depressa mas ele apareceu, quase em cima de mim (eu estava à pendura), de trás duns carros estacionados e começou a atravessar a estrada em direcção ao carro. Assim como apareceu... parecia tão real... mas foi só imaginação ou terá sido uma alucinação?

Psicologia barata

Quando eu era pequenina, a admiração que tinha pelo meu irmão não ficava atrás do medo que tinha dele... os monstros que me atormentavam os pesadelos representavam o meu irmão, e foi quando durante o dia comecei a conseguir fugir dele (o meu irmão não era assim tão bom a trepar às árvores, a andar pelo telhado e a correr pelas rochas...) que comecei a dominar os meus sonhos.

Pesadelo

Sempre fui dada a pesadelos... quando era miúda passava as noites a fugir de monstros ou a deambular perdida por aldeias em chamas e outras coisas que tais. Sonhava a eminência do terror... nunca acontecia nada de facto... os monstros nunca me apanharam e não faço ideia do que fariam comigo se tivessem apanhado, e as aldeias estavam simplesmente lá a arder... eu nem sentia o calor das chamas, não morria ninguém... nada!

Chegado o dia em que, com perícia e confiança, trepava às árvores, subia e descia do telhado, corria concentrada nas rochas bicudas e cheias de cracas do lado de lá da Pedra do Sal sem cair e sem me magoar, comecei a encher os pesadelos de vitórias... eu conseguia fugir aos monstros! Senti que estava a começar a controlar os pesadelos...

Não durou muito... Sem que me apercebesse muito bem, os monstros voltaram, desta vez com namorados traidores e foram ficando ano após ano após ano (mas por seu lado as aldeias em chamas já só me atormentam muito muito de vez em quando).

Pois a estória dos meus pesadelos infanto-adolescentes talvez não fosse para aqui chamada caso todo se mantivesse igual... mas no Verão de 2003, nasceu uma versão nova da coisa... uma versão crescentemente sangrenta e violenta... Agora olhando para trás, já nem me choco assim tanto com aquele primeiro episódio mas na altura fiquei aterrorizada por descobrir que tinha coisas terríveis dentro de mim. Coisas que não combinavam com férias, com praia, com o ritmo pacato da travessia da ria em Cabanas, com a sopa do mar do Ideal, com o ombro do meu namorado onde me aconchegava todas as noites.

Naquele sonho vivia-se um clima de decadência humana... uma cave sombria e suja, tráfico e consumo de droga, sentía-se a pressão de ter todos os movimentos controlados, como se os dementors estivessem ansiosos que alguém falhasse alguma regra desconhecida daquele jogo onde tinhamos ido parar sabe-se lá como...

Á porta, um carro passa e assassina um homem que é projectado contra a parede por onde vai escorrendo lentamente ao lado do sangue até ao chão...

Muitos filmes concerteza...

O meu avô...

...lê as instruções da torradeira.

Quarta-feira, Julho 27, 2005

Psicologia barata

Quando eu era pequena a minha mãe volta meia volta desaparecia dias a fio sem passar cartão a ninguém... Resultado: Sempre que alguém se afasta, por pouco que seja, cria em mim um desepero desadequado!

Segunda-feira, Julho 25, 2005

Há coisas que me comovem...

Não fui eu nem foi agora... mas é lindo! Vão ver em o frio que faz na cama! Obrigada a quem escreveu...
Morreu Eugénio de Andrade
Poucas palavras foram mais bonitas do que as tuas. Aquelas, que como tu dizias tiravas dos bolsos, eu acreditava nelas. Não eram minhas. Infelizmente. Essas palavras nunca estiveram gastas. Nunca. E sempre acreditei que tivesses alguma coisa para dar. Sempre que te lia passava-se absolutamente tudo. O teu passado nunca será inutil. Como tu escreveste nada se pode contra o amor. Podem-nos dar a morte, a mais vil, isso podem - mas é tão pouco. Adeus

Razões para B se enfiar na traseira de um camião

- B está com um humor de cão.

Razões para B estar com um humor de cão

- A não telefonou a B, A fugiu de B sábado à noite, A não telefonou a B e A continua sem telefonar a B.

Razões para B acordar com um violento ninho de ratos na parte de trás da cabeça

- Zanca tranca a noite toda, tendo B ficado por baixo pelo menos por um bocado, o que B aprecia muito;
- B dormiu mal comó c@#@//0.

Qualquer um dos casos afecta drasticamente o humor de B.
(aos meus amigos que não reconhecem a minha linguagem devo uma explicação: ando a ler O meu pipi e sabem como sou uma pessoa influenciável, além disso estou com um humor de cão!)

Razões para A evitar encontrar-se com B Sábado à noite num sítio público

(ainda no Universo pessoal... eu ainda não trabalho, está bem?!...)

- A não gosta de B;
- A não quer ver B;
- A tem vergonha de ver B num sítio público;
- A não se sente uma boa companhia (então por que raio vai a um sítio público?);
- A não quer ver B;
- A está com alguém que não quer que B veja;
- A está com alguém que não quer que veja B;
- A não gosta de B;
- A não quer ver B;
- A queria mesmo era encontrar B num sítio compatível com actividades físicas privadas;
- A na eminência de encontrar B teme pela sua rica saúde;
- A quando encontrar B vai ter vontade de lhe ir aos cornos mas como é uma pessoa educada e civilizada não quer criar situações conflictuosas;
- A quando encontrar B vai ter vontade de lhe ir aos cornos mas como é uma pessoa medrosa tem medo de criar situações conflictuosas;
- ... (estou sem mais ideias... ajudem-me por favor...)

Razões para A não telefonar a B

(no Universo pessoal, ie, não profissional)

- A não conhece, não tem qualquer contacto nem sabe da existência de B;
- A não gosta de B e não tem nada para lhe dizer;
- A não gosta de B, até lhe dizia algumas mas acha que não vale a pena;
- A não está nem ai para B;
- A está zangado, chateado, magoado ou ofendido com B;
- A gosta de B mas tem vergonha de lhe falar;
- A tem medo e não tem coragem de falar com B;
- A queria desesperadamente falar com B mas está a fazer bluff;
- A queria desesperadamente falar com B mas queria que fosse B a telefonar;
- A pensa que B não está nem ai para A e à falta duma desculpa suficientemente credível para telefonar... não telefona;
- A não pensa;
- B não tem telefone;

Qual é a tua? (aqui pode haver várias interpretações... qual é a tua razão... qual é a tua ideia, onda... ou então simplesmente apeteceu-me cantar... ó meu!)


(pessoal... esta lista ainda está mt incompleta... aceito e agradeço sugestões que acrescentarei ao post! Obrigada!)

_________________________

Não sei se não te entendo ou se não te quero entender. Talvez seja só acreditar no que tu me dizes...

Quarta-feira, Julho 20, 2005

Logo hoje!

Pronto…está bem… eu levanto-me…

Logo hoje que tinha prometido a mim mesma que ia fazer aquilo… porque é que não consigo ficar a dormir até amanhã em que não tenho nenhum compromisso? Mas já não tenho posição e também é uma granda seca ficar o dia todo a fingir que durmo ainda por cima neste colchão que está há 3 dias sem lençóis…

Aquilo que prometi fazer são 5 telefonemas… 2 deles nem deviam contar porque não tenho nenhum problema em falar com a Rute para remarcar a depilação para a semana que vem, nem com o JL para combinar ir lá 6ª-feira deixar a mota que agarrou. Mas agora vou tomar o pequeno-almoço… o computador também agora não está a ligar à net, anda há uns dias a dar uma mensagem de erro e aconselhou-me a seguir validation recommended na página do Windows update que abre automaticamente quando envio o relatório de erro, mas eu nunca encontrei nem nada parecido com validation recommended e não consegui resolver o problema e agora também já nem dá para enviar o relatório de erro de qualquer maneira, por isso… também não dá para ver os meus mails… vou mas é comer!

Tomei o pequeno-almoço com a minha mão e aproveitei para lhe contar que ontem tinha discutido com a minha avó…”e a avó ficou muito magoada quando lhe disse que precisava de sair de casa para poder crescer, que aqui tinha a papinha toda feita e não evoluía, não fazia por mim…”. Como eu sou injusta porque toda a vida os meus avós sempre fizeram tudo por nós e a minha mãe também sempre fez tudo por nós, sacrificou a própria felicidade e a própria existência por nós e como é que eu posso agora virar as costas a tudo isto? Como é que eu posso achar mais fácil crescer ou evoluir quando tiver que limpar a casa e fazer o jantar quando chegar do trabalho? E as cadelas? O que é que faço com elas? Vou levá-las para viver fechadas no pequeno apartamento que der para alugar com o pouco que me sobrar da psicóloga (este mês 14 sessões de hora e meia… 350€… vou aproveitar para passar já o cheque que ainda não paguei)? E os jantares com os amigos (15 a 30 €) e os almoços na praia (10 a 20 €)? E as portagens e o combustível e a cabeça do motor nova para a mota que agarrou e os travões e a correia do alternador para o carro (bolas… é outro dos telefonemas que tenho de fazer hoje… marcar a revisão porque o carro tem de ir ao IPO até ao fim do mês… vou ligar agora… não… agora não… se calhar vou trazer problemas ao Sr. A. que trabalha numa oficina durante o dia e tem o seu próprio negócio meio ilícito em casa à noite… é melhor telefonar à noite!)? E o veterinário e os desparasitantes internos e os desparasitantes externos e a ração e os ossos? E os presentes para os amigos que fazem anos (bolas… ainda não comprei o teu!...)? E os fins-de-semana fora? E o cinema (5€) e os concertos (25-50€) e os filmes (2,5€) e as multas dos filmes que não tive paciência para ir entregar a tempo? E os livros? E o mergulho (só o último foram 32€ e fui de boleia) e as aulas de Kite que vou ter depois de entregar o trabalho final, e o material de Kite e o fato de surf e a prancha de surf que também quero aprender? E o ski-aquático (ainda não sabes, mas eu tenho muito jeito para a coisa)? E as snowtrip anuais (600 a 700€ com viajem, hotel, aulas, forfait, seguro e morfes)? E o bungee jumping que choro porque nunca fiz? E a queda livre que choro porque nunca mais lá fui (deve estar a 35€ o salto, mais o seguro anual, e a deslocação até Évora, e ninguém vai daqui para Évora só para saltar uma vez… não compensa…)? E o karting que o pessoal marca de vez em quando? E o paint-ball que ainda não experimentei… e a escalada, o rappel, o slide, o canyoning, a canoagem e o tempo para fazer todas estas coisas e mais aquelas que ainda não sei que quero?!... E chamar o Sr. Netcabo para me vir arranjar a merda da ligação à net porque não tenho paciência para tentar arranjar sozinha e que ainda por cima cobra o serviço nocturno quando vem às 11 de manhã e eu pago 20€ a mais porque não tenho paciência para reclamar… E aqueles mimos que nos damos porque precisamos de nos reconfortar e de repente é essencial comprar aquela vela para o meu quarto, aquele tapete para o WC da quinta… E as roupas bonitas e os colares e pulseiras e sapatos que me lembrei agora de começar a gostar como comecei a gostar de natas e bolachinhas de baunilha e croquetes quando comecei a dieta! E a depilação e as massagens e o curso de massagista que tenho pensado em tirar? E a vista do meu quarto para o jardim e para o mar? E o jardim e os almoços demorados ao sol ou à sombra das árvores, consoante o calor, e os fins de tarde a brincar com as cadelas e os jantares de festa com velas a iluminar o caminho para o BBQ?… E a varanda onde me bronzeio integralmente porque não tenho vizinho da frente e onde sacudo o tapete cheio de pelos e areia porque não tenho vizinho de baixo?... e o barulho que posso fazer e arrastar móveis, dançar sevilhanas, pendurar uma moldura?...E a companhia que tenho todo o tempo… há sempre alguém a quem dizer “Bom dia!”, sempre alguém a quem pedir boleia para Lisboa, pedir que me comprem o ananás… Alguém que está simplesmente ali, alguém que nos irrita, alguém com quem refilar, alguém a quem amar. E agora que não estão aqui os meus irmão da terapia para me orientar o pensamento eu pergunto… como é que eu posso achar que tenho de sair de casa? Como é que eu posso acreditar que vou conseguir?

Volto para o meu quarto depois de ter limpo o “wc” das cadelas e folheado o jornal, onde havia artigos sobre praias fluviais (que dor de barriga!), sobre os incêndios (que dor de barriga!), sobre a seca (que dor de barriga!), e sobre a festa da cerveja do Castelo de S. Jorge (que dor de barriga!) que começa hoje e um (mais um) festival que eu também queria ir ver (que dor de barriga!). Estou com o período!... E não há água!

Entre escrever, ir almoçar, voltar a escrever porque o computador foi abaixo e perdi este desabafo, lá consegui telefonar à Rute e ao mecânico da mota. Ainda parei para deixar um post no blog do Bus (é verdade… a ligação voltou a funcionar…don’t ask!) e ainda à espera da água para ir tomar banho para ir à sessão de hoje…e já são 17h20! Mesmo que a água volte agora já vai ser um esticanço estar no Chiado às 18h30… vou se a água já chegou…

Ainda olhei para os toalhetes mas mandei um sms a explicar que não podia ir…

Logo hoje!

(os outros 2 telefonemas são um para o meu orientador do trabalho final e outro para a engenheira da APAS por causa do Vitis que está a aceitar novas candidaturas até 28 deste mês e o meu avô pediu-me para meter o projecto como jovem empresária agrícola)

Segunda-feira, Julho 18, 2005

...expressões trocadas

... de acordo com a legislação a rigor (em vigor até é mt mais giro, tem uma conotação sexual, ao passo que a rigor parece que vamos para um casamento, ou assim... não sei porque raio me foi dar para isto!)

Dahhh

Hoje, com 29 anos e mais que meio, descobri que para o carneiro tanto lhe dá ser morto para ser oferecido aos deuses ou para ser comido pelos homens!

Sempre me tinha chocado o sacrifício de animais, coitados a sofrer porque alguém se lembrou que um qualquer deus iria gostar. Continuo a achar a ideia um absurdo, claro! Se eu fosse deusa alguma vez iria ficar satisfeita com o sofrimento imposto a um ser vivo inocente?! Não, pior! Em minha homenagem!!!... Demitia-me logo e ia para casa com a neura do milénio.

Mas o que eu nunca tinha percebido é que aqueles pastores da antiguidade não tinham os adoráveis memés para com eles passearem alegremente pelos montes a tocar flauta como nas ilustrações infantis da Bíblia. Os memés iam ser mortos, fosse para comer ou para oferecer aos deuses. Daah! (23 de Janeiro de 2005)

Sábado sofrega saboreei e sofri e saboreei o que sofri e senti sofregamente sábado só


outro roubo de www.olhares.com (A urna de Paulo Maia)

Pesadelo

Acordei a tremer completamente agoniada. Carregava na alma uma máquina destruidora com um peso que eu não queria para mim. Tinha morto mais um homem. Pormenores fora, tinha morto mais um homem à facada.

Pormenores dentro… estava a ser perseguido (pois, eu era um homem) por um baixinho mas energético asiático, de cabelo rapado e com aquele mau gosto característico na maneira de vestir, íamos a nadar furiosamente ao longo de um rio e ele estava sempre a alcançar-me mas eu desembaraçava-me dele e continuava a fugir até que amarinhei por uma margem acima e comecei a subir por um caminho que ia dar a uma casa que, para minha desgraça, estava cheia de amiguinhos dele e foi um rapazote que substituiu o exausto china na caçada. Desci em direcção à aldeia, atravessei o rio a nado e corri pelas ruelas em direcção a casa (era uma casita de um só piso daquelas que dão directamente para a rua sem ter um jardim à frente e estão entaladas entre as casas do lado). A minha avó estava a entrar, ou à porta, não me lembro muito bem, mas abordou-me assim que cheguei e pedi-lhe desesperado que fechasse as portadas enquanto eu fui fechar a porta de entrada porque tínhamos entrado pela cozinha. Não cheguei a tempo e o miúdo (que era um actor brasileiro novito que estreou agora na New Wave) já estava a entrar. Lutámos violenta e demoradamente e sem que eu me lembre muito bem como foi. Entretanto eu tinha uma faca de cozinha e comecei a esfaqueá-lo. Desta vez não me lembro de sentir aquela sensação horrível dos ossos a partir, mas fui brindada(o?) por uma morte em 3 ou quatro actos. O desgraçado nunca mais morria! E eu tinha de continuar a esfaqueá-lo. Cada vez que eu parava e pensava estar tudo acabado, aliviado mas completamente destroçado por ter de ter morto um homem de forma tão violenta, o estúpido voltava à carga até que lhe quis cortar o pescoço só que ele teimava em baixar o queixo e eu abri-lhe um sorriso de orelha a orelha antes de conseguir finalmente decapitá-lo e mesmo assim não tenho a certeza se ele não teria continuado a insistir se eu entretanto não tivesse acordado.

É só quando ele (eu?) explica o sucedido à avó que eu (eu) fico a saber que o china tinha batido contra o meu (?) carro quando saíamos de um jogo de futebol (nunca fui a 1 jogo de futebol na minha vida!) e talvez a equipa dele tivesse perdido porque apesar de não haver grandes estragos o gajo ficou furioso e queria matar-me. (23 de Abril de 2005)

Sonho americano

Esta noite tive um sonho em que (alguém) escrevia um livro. O argumento andava à volta de algo muito grave que se tinha passado entre as nossas personagens mais importantes: uma rapariga; uma amiga intriguista e o seu namorado. Algo relacionado com a fantasia desta rapariga em ir acampar durante dois dias para o Mónaco! O absurdo do seu sonho não escapava à nossa personagem, já que vivia nos Estados Unidos da América. Chegou mesmo a haver uma viagem, só nunca cheguei a saber onde.

À medida que ela nos contava o que se passou, ia introduzindo deliciosamente as outras personagens. Não me lembro por que é que amiga era intriguista…mas sei que entrou sorrateira no quarto de alguém para preparar alguma e saiu vitoriosa. A seguir ofereceu a um rapaz (nem sei se era o namorado, mas parecia aquele actor brasileiro que agora faz de Viriato na Senhora do Destino!) uma caixa enorme cuja tampa estava decorada com umas grandes rosas encarnadas, penso que secas, dispostas ordenadamente.

Foi o namorado dela que me aqueceu esta noite! Não era fisicamente o dito actor, mas na dimensão dos sonhos tudo é possível. Atlético, pele morena, cabelo rapado e umas ténues feições negras (não relaciono com ninguém deste lado da vida!). Eu devia estar com falta de ar pois criei para este Adónis uma actividade bastante curiosa. Fotos artísticas, preso em poses sensuais debaixo duma água com aquela cor e nitidez que só encontrei quando fui mergulhar em Tenerife. Será que um dia vou conhecer o homem da minha vida preso debaixo de água à espera que o vá salvar? Será isto um aviso para não mergulhar sem faca? Bem, adiante…chamava-se Shawn e escrevia-se exactamente assim (porque é que uma pessoa fixa um pormenor destes?!). Pelo menos bate certo com a nacionalidade, mas eu não conheço nenhum Shawn. Nem sequer era Sean, um nome mais conhecido. Podia ser João, Pedro ou …Sérgio. Apesar de não gostar do nome, o corpo do Shawn sugere-me o daquele desgraçado, mas isso não é para aqui chamado!
…O Shawn também era bem mais cheio!

Havia muitas outras personagens, como um bando de raparigas histéricas à porta de um café, a usar um novo produto que deixava os cabelos muito brilhantes para impressionar alguém muito cobiçado que não cheguei a saber quem era. Mas o que mais me intrigou foi uma personagem liliputiana que vivia em cima de um armário e que tinha um amigo que lhe atirava chocolates (Bacci) de vez em quando e que temia pela sua vida cada vez que alguém ouvia ratos naquela divisão da casa!

Nunca soube o que é que tinha acontecido na dita viagem, mas estou até agora a rir de mim própria dos disparates que inventei. É claro que o Shawn contribuiu grandemente para a minha boa disposição matinal. Obrigada! (1 de Outubro de 2004)

Fui dar com ele morto...

Fui dar com ele morto e a composição parada! Um luto carregado enegreceu os meus dias e cobriu o meu olhar. Já não (ha)via para onde caminhar? Eu sei que o maquinista não é insubstituível mas é triste ver partir alguém que nos levou em alta velocidade à volta do Mundo e com quem ainda esperávamos ir à lua e talvez ainda ter tempo para visitar outro sistema solar! (5 de Janeiro de 2005)

Gambler

Quando acabámos de jantar continuámos descontraidamente à conversa. Então, em duas jogadas apenas, ele avançou do lado de lá da mesa para se instalar quase em cima de mim, passando pelo banquinho da lareira. A seguir sacou do trunfo, exibindo aquela parte deliciosa da barriga que fica mesmo acima do botão das calças de ganga de cintura baixa que ele usa (que abuso!) e desafiou a minha jogada com um olhar jocoso. Eu passei. Verbalizou com mestria a jogada final e um pouco quase nada depois já me estava a agarrar. (5 de Janeiro de 2005)

Quarta-feira, Julho 13, 2005

...expressões trocadas

...por os cavalos à frente dos bois (quem sai aos seus... este é da minha mãe!)

Encore une foie...

Desde o concerto da Madonna que não tenho nenhum orgasmo. A tensão aumenta de dia para dia e os ânimos elevados do 25 de Outubro deixaram-me doida de desejo…

Pronto… não é bem verdade… já tive pelo menos um orgasmo[1] mas com uma satisfação fugaz que se diluiu na minha angustia como uma gota de água doce contra as ondas do mar.

Os dias foram passando e o desespero foi-se instalando. O meu ego está cada vez mais franzinito e a minha cara está cada vez mais velha e feia. Tento disfarçar e fingir estar bem disposta mas sei que não devo estar a conseguir porque já ninguém quer do meu mel, tão cobiçado há uns meses atrás. Tenho de me forçar a erguer a cabeça e por os ombros para trás tentando encobrir a minha condição de miserável. De vez em quando rebenta furiosa uma raiva que tenho de engolir por não ter como ou a quem me queixar. Veneno puro! A tristeza voltou a ocupar o seu lugar e os maus condutores voltaram ao poder e lá ando eu pelo transito a irritar-me e a chorar de nervos! Lá ando eu a responder mal a quem não merece e a sentir-me péssima por isso. As minhocas que pretendem ser os meus miolos já retomaram a conspiração maquiavélica para me deixar cada vez pior.

Ando fodida dos cornos! (desculpem a expressão, mas não me lembrei de outra que melhor relatasse o meu estado de espírito). Ando desvairada, tomo as piores escolhas por desespero, por achar que qualquer coisa há-de ser melhor do que o que estou a passar, mas sempre a enterrar-me mais fundo. Não me respeito ou protejo e acabo por fazer tudo o que não devo e entregar-me a quem não me merece. Alguns laivos da “velha Eu” no seu pior.

Mais uma vez a loira da anedota da casca da banana… (30 de Novembro de 2004)
[1] Claro que não contam os monólogos de prazer que só servem para aumentar a minha solidão quando à partida já me sinto só.

O GLORIOSO 25 de Outubro de 2004 Parte II (a madrugada de 26)

Desde o concerto da Madonna que não tinha nenhum orgasmo. A tensão aumentava de dia para dia e os ânimos elevados daquela noite deixaram-me doida de desejo. Mas o meu maquinista não me deu troco, como aliás não dava há algum tempo. O Eduardo por seu lado atacava em força e preenchia um cantinho do vazio que o outro tinha deixado. O Eduardo era querido. O Eduardo desejava-me. O Eduardo gostava de mim. Por isso achei que devia deixar o Eduardo essa noite. Não o podia usar para saciar a minha fome animal, não o Eduardo que gostava de mim.

9s fora nada? Não! Restava-me o João, o “coelhinho”!

Restava-me mais uma frustração. Mais um cartucho queimado. Um trunfo desperdiçado por ter sido usado fora do tempo. Restava-me a raiva de mim própria por voltar a cometer sempre os mesmos erros. Restava-me a vergonha dos meus actos perante quem deles tivesse conhecimento. Ah! Como eu sou boa a tramar-me! Consigo tão bem meter os pés pelas mãos e dar cabo de tudo o que me é querido. Boa!

Ninguém me tira o 25 de Outubro de 2004… não é preciso… eu própria já dei cabo dele! (9 de Novembro de 2004)

O GLORIOSO 25 de Outubro de 2004

Consegui entregar metade de Proj III a 15 de Outubro (no último dia, claro!) e acrescentei o resto sorrateiramente na 2ª-feira seguinte, dia 18 que era a data de entrega de Proj IV. Enchi-me de coragem (lata!) e pedi ao Prof para ainda me deixar entregar Proj IV e ele concedeu-me uma semana, que me deu para desenvencilhar um trabalho incompleto e talvez incorrecto em alguns aspectos, mas entreguei! Para o comum dos mortais isto não é nenhuma proeza notável, mas foi uma vitória para mim que não entregava nenhum trabalho há 2 anos (alguns dias depois de escrever estas linhas lembrei-me que no semestre passado entreguei FAP e tive 17 mas ainda não percebi como é que não me lembrava deste pormenor!). Desistia sempre a meio. Sentia-me incapaz e inferiorizada e com tanto medo de falhar que não chegava a tentar!

Ainda não sei as notas, posso até ter chumbado, mas tentei! (tive 16 e 14 YUPPI!)

Já ninguém me tira dia 25! Directa para acabar Proj IV, saí disparada para a Sobrena sem almoçar para não chegar atrasada à avaliação na APAS (vão lá uns Srs. do Ministério da Agricultura fazer-nos 1 exame) e mesmo sem ter tido tempo para estudar, sem ter dormido ou comido consegui ter um 19, a melhor nota da turma. Depois fomos todos jantar fora, tomar uns toupeiros a Óbidos e às 3 estávamos em casa do Francisco a tomar banho de piscina com um frio de rachar. Mas a noite aqueceu logo com as brincadeiras calientes que se seguiram. MUITA provocação! Ah… são estes momentos que fazem a Vida valer a pena! Dia 25 o Mundo era meu. Dia 25 parei de tomar o Cipralex. (9 de Novembro de 2004)

Cipralex


Efeitos secundários frequentes (menos de 1 em cada 10, mais de 1 em cada 100):
Sinusite (nariz entupido ou com corrimento)
Diminuição do apetite
Dificuldade em adormecer √
Sonolência
Tonturas
Bocejamento √
Diarreia
Obstipação
Aumento da sudação
Perturbações sexuais (atraso na ejaculação; problemas com a erecção; motivação sexual diminuída; as mulheres podem ter dificuldade em atingir o orgasmo √)
Cansaço
Febre

(!)

Fixe! Ou faço a merda dos projectos ou tenho orgasmos! Se ao menos também tivesse a motivação sexual diminuída… mas o “maquinista” voltou ao serviço! (11 de Outubro de 2004)

Trabalho de grupo

- … então e os tios dormem cá esta noite? A resposta positiva teimava em querer apagar o sorriso com que tinha chegado. Disfarça... disfarça.., afinal a casa é deles e só estás aqui de favor! Calma… como é que vou fazer?… Que caraças… porque é que não ando com a chave da Quinta? Telefonei ao Sr. Manuel. Fogo! Não atende. –“… o tio por acaso tem o número de casa do Sr. Manuel?” Acabei por arranjar o número após correr os tios todos e telefonei. Porra! Também não atende.– “…e a chave da Quinta… o tio tem?” Mais uma ronda à casa a perguntar pela chave e lá a consegui. – “…é que temos de fazer um trabalho de grupo e não quero estar a fazer barulho aqui em casa. Vou lá agora ver em que condições é que está!” (já não tenho idade para isto!).

Tem luz, boa! Ainda está com um bocadinho de pó… É preciso tirar as coisas de cima da mesa e juntar aqui algumas cadeiras. Será que está ligada a água? Óptimo! E os quartos… aqui em cima não dá… neste também não, ai, ai!… queres ver… Yes… a esperança é a última a morrer! Ainda há um colchão cá em casa! Está feito! Agora é só ir comprar um tintol e esperar que ele telefone. (9 de Outubro de 2004)

Maquinista

O passado chegou inesperadamente sem que o futuro que eu imaginava tivesse sido presente. Malditas férias! Estava tudo tão bem encaminhado… eu ardia por ti e tu retribuías, parecia-me… bem… pelo menos incentivavas, provocavas-me descaradamente e mostravas gostar do meu interesse por ti. Na altura não havia porque olhar para lá das labaredas, chegava-me o que me davas.

Um mês e tal depois já quase não há nada além da minha teimosia em achar que devia ter acontecido mais alguma coisa! “Quero ouvir-te gemer!” a tua voz rouca arranha as minhas costas e não me deixa sossegar… então e agora… já não queres? Porquê? Tenho pavor da resposta… espero que andes entretido com alguém mais aliciante e que ao menos não tenhas simplesmente perdido o interesse por mim. Que as coisas não iam durar entre nós já eu sabia e estava preparada para aceitar, mas não estava preparada para esta estranha sensação, o fantasma, a nuvem que se dissipou sem ter chegado a tomar forma. Eu também queria que tu me ouvisses gemer…ai se queria! Queria gemer e contorcer-me e sentir-te contorcer e gemer e sentir o pulsar do teu sémen a passar enquanto te viesses dentro de mim.

Se ao menos eu nunca tivesse provado o teu sabor, se nunca tivesse tocado a tua pele, se o teu cheiro nunca me tivesse embriagado… se eu nunca tivesse visto o que escondes tão mal aí no centro de ti… NÃO!... Ainda bem que provei, toquei, cheirei, vi e que vivi! Triste de mim se continuasse a pensar ter morrido! Graças a ti sei que estou bem viva. Tudo aqui dentro mexe e tem vontade própria. Agora só falta alguém para pôr outra vez a máquina em andamento. Pena não seres tu! (5 de Outubro de 2004)

Muda



Pára! Afinal não quero fazer amor contigo... não vês que só quero atenção?
No fim sorrio e finjo estar contente para que não me julgues maluca.

Engodo

"Quero fazer amor contigo" diz o meu desespero para te prender em mim mais um instante... só mais um instante. Fica comigo. Olha para mim. Entra em mim e arranca a minha dor.

Sexta-feira, Julho 08, 2005

...expressões trocadas

...puxar os cordões à massa (puxar os cordões à bolsa)

Quinta-feira, Julho 07, 2005

Consegui!

Escrevo e leio e releio e escrevo mais e vejo e namoro e sinto-me só. Acho que ninguém me está a ler, ninguém me está a ver. Escrevo para que me leias e saibas quem sou, mas tu não estás a ler agora e não queres realmente saber quem sou. Achavas que querias quando te fazia feliz naquele meio tempo em que as coisas se podem viver como se imaginam porque ainda não há provas duma realidade contrária... a podridão, apesar de confessada não é sentida enquanto não há provas. Orgulhosa esfrego-te as provas na cara e afasto-te antes que possas reagir. Decido que tu não hás-de continuar a querer-me. Não hás-de continuar a ler-me.

Muito fácil!

...mas tens de acreditar que aos poucos vais conseguir. Cada novo dia tens oportunidade de provar que és capaz de fazer algo por ti. Há muitos dias em que se falha e ao princípio podem ser mais os fracassos que as vitórias mas tens de saborear cada vitória alcançada e tirar dela a força para mais um dia de luta. Aos poucos vais ver que os dias negativos vão ser cada vez menos. Acredita porque eu sei muito bem o que estou a dizer. Pensa hoje que passo podes dar amanhã e se nada te ocorrer... não desesperes. Fica atenta e procura os pequenos prazeres da vida e também aqueles erros que cometemos sistematicamente e cujo arrependimento nos envenena de dia para dia. Toma consciência do que estás a fazer contigo própria e quando estiveres para te envenenar mais um bocadinho pára e troca isso por algo que te dê prazer. Por algo que te faça bem. E lembra-te de uma coisa muito importante... se tentares podes falhar, mas se não tentares falhas muito mais porque nem te chegaste a dar uma oportunidade! Beijinho (17 de Fevereiro de 2005 02:12)

Fácil!

Querida amiga! Sempre que passares à frente de um espelho olha com atenção. Olha para o coração de ouro, olha para a miúda inteligente, olha para essa cara tão gira... Tu tens-te tratado muito mal mas tens de ser a primeira pessoa a amar-te a ti própria. Tens de passar a ser a tua melhor amiga! Sempre que passares à frente de um espelho olha bem e sorri... tu és uma miúda espectacular! Beijinhos e sempre que quiseres falar vou ter sempre o telefone ligado e o coração aberto, nem que seja às 4 de manhã! ;o) (17 de Fevereiro de 2005 01:45)

Tu e o espelho

Eu amo-me tanto que até doi! Eu merecia tanto ser feliz... não necessáriamente a pessoa mais feliz do Mundo... só feliz. Normalmente feliz. Sem ponto de esclamação nem nada. Eu amo-me tanto que não consigo continuar a olhar para mim e ver tanta dor... Amo-te tanto! Desaparece da minha frente que já não aguento mais olhar para ti! Fazes-me sofrer porque só me queres fazer bem e não consigo sentir o bem que tu me fazes! Sinto a tua falta... Acabei contigo e amáva-te tanto. Fazias-me tanto bem e eu já não tinha mais nada para te dar... nem o meu prazer. Sai daqui... não consigo estar mais contigo porque não consigo estar mais comigo. Quero acabar tudo. Quero acabar comigo e amo-me tanto.

Realidade

Abri a porta e vi a cama vazia à espera para engolir o meu corpo exausto. Tão grande ela parece sem ti. Tão fria. Tão... 1 cama. Peço ao teu cheiro, ao nosso cheiro que me embale enquanto adormeço e de tantas vezes já ter adormecido à procura das palavras do coração que fala pelos cotovelos,... acordo com o telemóvel na mão e a mensagem por acabar de escrever... Bom dia! Esta noite dormi contigo ainda que não soubesses. (17 de Abril de 2005 08:11, 16:22)

Respeito

- És virgem?
- Não! – respondi prontamente com um ar quase ofendido.

Não… que disparate! Virgem! O sexo não era nenhum segredo para mim, não era nenhum tabu, não tinha qualquer tipo de limites, restrições, proibições, mas sobretudo não havia preconceitos. Eu nunca dizia ‘não’ quando me apetecia dizer sim e nunca compreendi este generalizado comportamento das minhas colegas face às tímidas primeiras investidas dos rapazes. Eu era muito diferente dessas ‘inhas’ ridículas, hipócritas, falsas…

Eu nunca neguei a minha curiosidade sobre o corpo, ou antes, sobre os corpos, o meu e o dos outros, masculinos ou femininos. Desde que me lembro que me toco, que exploro o meu corpo e o meu prazer e foi durante a infantil que explorei pela 1ª vez (que me lembre) o corpo duma colega minha. Novas oportunidades foram sempre aproveitadas e com a ajuda dum amigo 5 anos mais velho, aos 8 já desenvolvia a técnica do sexo oral com vista a potenciar o prazer masculino e outras brincadeiras que nós tivemos levaram-me a acreditar ter perdido a virgindade.

- Oh! Que horror! Ele deu-lhe um beijo na boca!

Donde é que isto vem?

Alguém me diga por favor! Ainda agora com 29 anos não consigo entender. É certo que eu levei as coisas talvez um pouco rápido demais e é verdade que isso me prejudicou e também é verdade que uma miúda de 11 ou 12 anos dificilmente toma as opções mais acertadas. Mas em que é que eu era diferente das minhas colegas? O que é que as levava a elas a negar a curiosidade, o desejo? Que razão era essa que as impedia de avançar nesse domínio e que me fazia sentir uma raiva tão grande, provavelmente recíproca, de todas essas ‘inhas’? Tão irritantes, tão complicadinhas, com os seus vestidinhos e os seus sapatinhos e os seus não me toques e os seu gritinhos histéricos…

Eu e o meu irmão uma vez nos jogos da paróquia durante as festas populares ganhámos um livro chamado ‘Marcelo, Marmelo e Martelo’ e uma das estórias era sobre duas meninas que se detestavam exactamente por uma ser uma Maria-rapaz e a outra ser muito feminina. A minha vida era como essa história em que todas as minhas amigas eram demasiado femininas para o meu gosto e eu demasiado Maria-rapaz para o gosto delas. Só que eu nunca cheguei a fazer as pazes com elas.

Consegui voltar a ter amigas quando também elas começaram a querer entrar no mundo dos rapazes onde eu circulava livremente, mas rapidamente uma nova razão se insurgiu contra a amizade no feminino: a competição. Finalmente todos aqueles tontos que tantas patadas levaram daquelas palerminhas iam tendo algumas conquistas e surpreendentemente passaram-me para o lugar de ‘melhor amiga’ e depois para o lugar de ‘uma amiga com quem se pode contar quando levamos um tampa daquela de quem realmente gostamos’ e finalmente para a posição que entretanto passei a ocupar de ‘… prefiro não dizer.
Desta vez não estava disposta a perder as minhas amigas. Descobri que precisava muito delas: eram muito úteis para conhecer novos rapazes; é muito mais fácil um grupo de rapazes meter conversa com um grupo de raparigas do que o singular dessa situação; e apesar dos rapazes serem muito mais amigos e mais sinceros do que as raparigas, eles andavam a guardar esse privilégio uns para os outros e o exílio total não devia tardar.

A coisa avançou de tal maneira que hoje não sei o que é ter um amigo, não sei lidar com rapazes. Logo eu que sempre me gabei de ter um relacionamento tão saudável com a minha sexualidade não consigo ter um amigo sem misturar as coisas. Todos os amigos que eu tenho ou são antigos namorados ou curtes, ou são um interesse recente ou são munições de reserva que se conservam e estimam em tempos de paz para usar em tempos de guerra.

Está tudo errado! Mas esteve sempre tudo errado? Desde quando? Desde os 5 anos e da exploração do corpo feminino? Desde os meus 8 e os 13 dele? Desde os 12 quando respondi não ser mais virgem, tornando injustificável (achava eu!) a recusa do que a seguir se passou? Uma coisa é certa: eu afastei-me do caminho comum e ao ser julgada e criticada a minha defesa (brilhante!) foi afastar-me ainda mais e fazer da liberdade sexual uma luta que travava contra todos usando a minha própria existência, a minha própria conduta como exemplo. Chamaram-me muitos nomes e contaram todo o tipo de coisas a meu respeito mas eu andava de cabeça erguida, orgulhosa por estar a fazer algo pelas pequenas oprimidas que vivessem atrás de mim neste Mundo machista e como tal injusto e incoerente. De cabeça erguida mas a sofrer por dentro. Estes foram sem dúvida os melhores anos da minha vida!

Quando as outras cabeças cresceram e tudo acalmou, uma parte da minha vida deixou de fazer sentido. É claro que eu não pensava nisso e ia vivendo dia após dia. O resto do sentido foi-se quando a minha primeira paixão me traiu. E eu continuava a não pensar nisso. Era uma pessoa extremamente optimista e bem disposta e vivia bem, mas comecei a definhar… sem pensar nisso.

Eles falam, falam, falam… e eu ando aqui às voltas!

Gostava de voltar a acreditar tanto em mim como acreditava antigamente. Andar de cabeça erguida quando me apontavam no colégio… hoje duvido que alguém perca o seu tempo a pensar bem ou mal de mim e mesmo assim não consigo andar de cabeça erguida. Claro que tenho uma vozinha interna que, quando eu deixo, diz…Que pessimismo destruidor! Está tudo na tua cabeça sua tonta! Tens muitos amigos e amigas e sempre tiveste. Apesar de tudo sempre houve pessoas que te respeitaram e te deram valor pelo que tu és. Muitas pessoas até… considering! Porquê este negativismo todo? Não são os outros que não te respeitam… há-de sempre haver pessoas bem e mal formadas no teu caminho, pessoas que gostam da tua maneira de ser e pessoas que não gostam de ti, pessoas mais compreensivas, pessoas mais intolerantes, pessoas mais práfrentex, como a tua avó, e pessoas mais casmurras, de horizontes mais limitados. A resposta não está nos outros, está em ti! Tu é que tens de te respeitar e acreditar em ti e só assim os outros voltarão aos seus lugares na tua vida. Segue o teu caminho sem hesitar porque são as hesitações que, fragilizando o teu interior, abrem as portas às agressões exteriores.

Fixe! Sinto-me muito melhor agora! Na verdade estou na mesma. Continuo na mesma. Continuo sem saber qual é o meu caminho! Eu quero uma Auto-estrada na minha vida! (17 de Janeiro de 2003 00:50)

John

Estava na idade de brincar com bonecas, de viver no reino encantado dos príncipes e princesas e cavalos alados. Não sei exactamente como ou quando começou mas ao princípio não era John, era um rapaz anónimo, um pouco mais velho que eu e que todos os dias enfrentava novos desafios. Foi ao conhecer o pai, John Rambo que John ganhou nome, um passado e um fio condutor na sua vida…

Foi no Vietnam que John nasceu, fruto da paixão entre Rambo e uma linda vietnamita, numa aldeia isolada que tinha acolhido o militar americano enquanto ele se recuperava de graves ferimentos em todo (quase) o corpo.

Recuperado, Rambo abandona a aldeia sem chegar a saber da existência do seu filho. Com poucos anos de vida, John assiste ao massacre da sua família por soldados americanos e foge para viver escondido na selva por alguns anos até ser resgatado por Harris[1], um oficial americano que o adopta e educa já nos EUA, sob a disciplina militar que acreditava ser a melhor formação.

É ainda no Vietnam, em missões especiais que o seu profundo conhecimento do território possibilitavam, que os capítulos começam, episódios com ou sem continuação, mais ou menos fantasiosos, mais ou mais sofridos.

John é um miúdo corajoso e habilidoso em tudo o que faz. Também é muito esperto e foi ao conseguir roubar a comida do pelotão de Harris durante tanto tempo sem ser apanhado que ganhou a simpatia e admiração deste. John ao princípio não confia em Harris, como em nenhum americano, vivendo assombrado pelas imagens violentas de tortura, violação e morte na sua aldeia.

Já nos EUA, frequenta um colégio interno que também não lhe dá tréguas, mas John não se deixa amansar e o seu espírito rebelde permanece imperturbável face aos mais variados castigos e torturas impostos no colégio e pelo pai adoptivo.

Durante muito tempo, John vive os mais sórdidos, ou mais cómicos, ou mais heróicos episódios, sempre bem abastecidos de desafios à sua destreza física e frequentemente recheados de punições sexuais, e cujo tema podia ser, ou não, fiel à sua história, mas que geralmente encontravam inspiração em acontecimentos da vida real ou da televisão.

Lá para os meus 10-11 anos, John começa a interessar-se por uma rapariga também interna no colégio e o seu novo grande desafio passa a ser encontrá-la (escalando as paredes da ala das raparigas, fazendo rapel desde o telhado, arrombando portas, etc.). Continua a ter de enfrentar os duros castigos que se seguem mas tudo vale a pena. Ninguém o vai impedir de fazer o que ele quer. É durante os seus encontros que eu volto a ser eu. É comigo que o John se vai encontrar, é comigo que descobre a paixão, as brincadeiras atrevidas, os beijos… os dois descobrimos o corpo, o prazer, o sexo. Através destes encontros no pequeno quarto de um colégio interno nos EUA vivi a beleza da primeira vez, a felicidade de ser amada, recuperei a inocência.

Aos poucos John transformou-se em mim, até que tomou um papel anónimo e secundário, porém primordial para me resgatar das garras dos coronéis esfomeados. A minha imaginação entretanto vai para o espaço já que a partir de certa altura o episódio da escrava sexual torna-se recorrente, até tudo acabar, não sei exactamente como ou quando. (17 de Janeiro de 2005 19:53)
[1] Harris é nome de mulher, mas eu não sabia.

Canibal!


...o altruísmo é uma arrogância disfarçada como um lobo em pele de cordeiro! Mas o lobo quando se vê ao espelho (leia-se toma consciência do que é e de quem é pelo seu reflexo no Mundo) pode até convencer-se que é um cordeiro e agir como tal. Depois vem a fome (a erva realmente nunca me encheu as medidas), a baba a escorrer e os olhinhos a brilhar (tipo o tio Patinhas a namorar o seu dinheirinho), o instinto fala mais alto e de repente dá-se o ataque mortal. As presas cravadas no pescoço do pobre cordeirinho ainda quente... imaginem só a confusão que vai na cabeça do desgraçado do lobo que pensava ser cordeiro!

Bloqueador solar

“Deixa estar as coisas de Proj IV. Safo-me sem elas e assim escuso de falar mais contigo. Contavas com um certo orgulho que quando acabaste com a Catarina ela ficou 6 meses de cama. Foi preguiça? Agora tens mais uma história para te orgulhares: eu há 3 anos com a vida parada.” (sms enviado a 16 Outubro 2004)

Uma vez acusaste-me de tornar tudo mais pesado. Na altura aceitei mais essa tua crítica e sofri com ela como com todas as outras. Sim… era pesado ser a pior pessoa do Mundo aos teus olhos.

Será que nunca percebeste que até me envolver contigo eu vivia com a leveza de uma criança, numa dimensão ACIMA dos pensamentos, com o optimismo irrecuperável duma visão (ou cegueira!) pura da vida. Eu realmente considerava-me uma pessoa feliz!

Chamavas-me Nuvem Negra mas tu é que me besuntaste com um protector solar tão poderoso que não havia raio de Sol que me aquecesse a alma e tão pegajoso que passados 3 anos ainda não o consegui lavar totalmente. 3 anos morta. 3 anos sem saber o que é que ando aqui a fazer. 3 anos com uma depressão que eclodiu sob o teu feitiço que arrasou o meu sistema imunitário emocional.

Remataste com o carimbo PREGUISOSA quando tu é que me acorrentaste a perna direita à falta de auto-estima, a perna esquerda à culpa e a teu cargo ainda vieram os Srs. pensamentos colocar-me uma camisa de forças por descobrir que não tinha nenhum objectivo na Vida!

Ser feliz não é um objectivo suficientemente importante? (9 de Novembro de 2004 21:11)

Terça-feira, Julho 05, 2005

Grande problema...

Qd como mta salada fico com bocadinhos meio digeridos de alface a flutuar na sanita durante dias e dias...

Segunda-feira, Julho 04, 2005

Não tens mais nada que fazer?

Ter que e ter de empregam-se em circunstâncias diferentes. Ter de emprega-se quando se subentendem palavras como necessidade, precisão, desejo, obrigação, antes da preposição de: Tenho de comer. Tenho de o ajudar. Tenho de trabalhar muito para viver. Ter que usa-se quando subentendemos palavras como muito, pouco, nada, algo, coisa, coisas. Estas palavras são antecedentes do que, pronome relativo. Este que é o complemento directo do verbo que se lhe segue: Tenho muito que contar. Elas tinham muitas coisas que dizer. Não tens mais nada que fazer?
(http://ciberduvidas.sapo.pt/php/resposta.php?id=485)

...expressões trocadas

...puxar a braza à minha fogueira (é preciso traduzir?)

Domingo, Julho 03, 2005

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- “Pare com isso… Que mal é que eles lhe fizeram?... Bela educação está a dar ao seu filho…”
- “Vai-te foder!” (Confirma-se)
A ideia até não era má… A nossa viagem de finalistas[1] já me tinha descolado do Nuno Miguel[2] há uns dias e a vontade estava a ficar intolerável… e ainda faltavam tantos!
- “Desde que não seja consigo!.. Anormal!”

A discussão podia ter ficado séria sem a interrupção forçada dos meus colegas que pegaram em mim para me afastar dali. Toda eu fervia de raiva! Há realmente pessoas que se deviam poder apagar, carregar naquele botãozinho e puff… bye bye!

(Contexto?… Gerês, garranos selvagens, imbecil e filho a atirar-lhes pedras)
(21 de Junho de 2005 11:35)

[1] na realidade era a viagem de despedida do colégio que só tinha até ao 9º ano
[2] ver 200

Ai ai... com licença... estou aflitinha!

Que se fodam as praias fluviais! Que se fodam mesmo e bem fodinhas! Que se foda a Qualidade da Água, a Bandeira Azul e o INAG! Que se fodam os rios e as albufeiras e os Estreptococos fecais! As salmonelas, e o ambiente e a prática balnear e o Decreto-Lei 236/98 de 01/08/1998 e os banhistas locais e/ou visitantes, e as directivas e os programas, e os municípios, distritos, delegações, associações, federações, comissões, as faltas de informações e a paisagem... ai a paisagem... sobretudo a paisagem... vão todos pró... pró... não consigo escrever mas nem preciso...

ahhhh... que alívio!

(coitadas... as praias fluviais nem têm culpa que eu as tenha escolhido para tema do meu Trabalho Final!)

O foco da infecção...

Recentemente concluí (que é como quem diz: fui obrigada a engolir parte da minha arrogância e admitir...) que aquelas coisas que mais nos deixam com os nervos em franja têm geralmente uma origem mais ou menos escondida, mas absolutamente cravada no nosso ser. Exemplos... inúmeros... cada um tem os seus, mas alerto que mesmo tentando reflectir com sinceridade sobre o que mais nos irrita nem sempre é possível admitir a causa. Inveja é muitas vezes a resposta ou vermos nos outros o reflexo de um comportamento nosso, actual ou passado, que as nossas defesas nos impedem de ver directamente em nós...
Mas afinal de contas porque raio vou aos azeites com a voz esganiçada de certas mulheres... Inveja? Livra!

Herói do recreio?

É triste ou é lindo mudar de opinião? Poder mudar de opinião é bom, não há dúvida, mas não nos faz sentir ridículos por vezes quando são assuntos de grande importância para nós? Quer dizer… ninguém perde o sono por hoje gostar de calças mesmo justas e amanhã só usar bocas-de-sino mas e se durante uma qualquer fase da nossa vida desprezamos determinado tipo de comportamento e depois, muito depois, nos lembramos que já tínhamos sido assim?...

Pois é! Estava aqui a lembrar-me de mim própria na primária. Um bocado por imitação do meu irmão mais velho, eu era valente, forte, orgulhosamente forte, aliás... demasiadamente orgulhosamente forte! Fazia questão que todos pudessem ‘apreciar’ como eu era forte e enfrentava fosse quem fosse. Provocava toda a gente, geralmente em defesa dos fracos e oprimidos, mas na esperança de poder exercer os meus dotes bélicos e ser por tal muito admirada. Como eu adorava rebolar no chão toda desfraldada, despenteada a espumar da boca, com as bochechas e as orelhas a ferver de raiva, a bater descontroladamente, cega, imune à dor! Toda a gente a olhar e eu sem dar parte fraca por muito que fosse, por vezes, indiscutivelmente mais fraca, nunca fugia, nunca parava de bater ou de tentar.

Sempre me tinha sentido muito orgulhosa do meu passado heróico até agora quando descobri (a pólvora!) que eu não era em nada diferente dos parvalhões que ganham a noite a armar cenas de pancadaria nas discotecas, o que eu sempre achei no mínimo absurdo. Como é que alguém se podia divertir a provocar deliberadamente situações conflituosas deixando pouca margem para uma resolução sensata, pacífica e civilizada! Os heróis da noite! Ridículos! Eu fazia isso na 2ª classe, na 3ª classe, na 4ª classe, no 1º ano, no… Que ridícula eu devia ser! Nem sei como é que fiquei com tão bons amigos do colégio!

E como é que alguém pode mudar tão profundamente de opinião sem se aperceber durante mais de 15 anos? (17 de Janeiro de 2005 18:45)

Só mais um dia não…


Hoje tirei o dia para ficar triste! Não sei porquê! Tenho vontade de dizer que é tão frequente que já nem questiono, ou que a frequência com que isto acontece é inversamente proporcional ao tempo que dedico a pensar sobre o assunto. Ficava bem, mas não é verdade. A verdade é que apesar de ser assim há algum tempo, só há pouco comecei a questionar-me. E ainda não encontrei resposta!

Sei muito bem o que precisava para tapar o dia com aquele conforto de ter feito alguma coisa útil. Tenho o quarto para arrumar; papeis, tantos papeis, tantos meses de descontrolo, para organizar; as minhas fieis amigas para levar ao vet porque não dei o desparasitante a tempo e horas e agora têm de fazer um exame (que só custa para aí 100 €!) antes de voltarem a puder tomá-lo; tenho de encontrar os apontamentos de Conservação da Água e do Solo, ou do Solo e da Água, sei lá, para começar a preparar-me para o exame que é só lá para Janeiro mas eu acho que não posso chumbar mais porque o curso mudou o currículo e esta disciplina já nem existe há 1 ou 2 anos, ou 3; quero também comprar pastas para organizar os folhetos e livros de percursos e turismo porque tenho tudo enfiado dentro de um caixote e quando vou a algum lado não consigo sequer pensar em ir lá procurar “aquele mapa” ou “aquele folheto” que eu sei que tenho mas assim é como se não tivesse... Se tivesse ido comprar estas pastas sei que até teria gostado: sair, ir até ao Officecenter, voltar para casa com as pastas que precisava e mais uma batelada de coisas que nem por isso, e perder-me por Portugal, revivendo aqueles sítios onde já estive, sonhando com as paisagens que ainda não explorei, mergulhando nos lagos, praias, rios de Norte a Sul, ou seguindo viagem até Espanha, ou até às ilhas e chegar ao fim do dia satisfeita com o cumprimento de uma pequena missão. Mas não! E agora que finalmente penso sobre o assunto não sei a causa de tanta estupidez, masoquismo ou o que lá raio isto é! Começa por uma enorme falta de energia ou ânimo para fazer seja o que for e por me sentir totalmente perdida. Depois a conclusão que se não lutar contra e tentar fazer alguma coisa, vou passar um dia e uma noite horríveis, a agonizar, a martirizar-me, a culpar-me, etc e vou ter de viver o resto da vida com menos um dia de felicidade e mais um dia de sofrimento, logo eu, que já gastei tantos dias assim, e ainda por cima estou perfeitamente consciente que a culpa é minha e que podia ter mudado as coisas e não mudei! Por fim a entrega ao sofrimento, a desistência e a confirmação da sina. Sou mesmo a loura da anedota que exclama que vai cair ao ver a casca de banana no chão! O pior é que as pessoas que me rodeiam dizem que sou uma pessoa inteligente. Como!? Passei mais de ¼ de século sem saber o que era pensar e agora que penso alguma coisa dá-me para isto! Rica inteligência a minha!


Estou sempre a adiar tudo o que é preciso ser feito! O meu quarto, por exemplo… depois das obras que me deram um quarto com o tamanho digno do nome e ainda mais algum espaço e uma casa-de-banho, ainda só passou um ano e o caos já o ocupou há alguns meses. Decidi que o arrumaria em Setembro, quando voltasse dos Açores e estivesse ainda de férias do Curso de Empresários Agrícolas, vulgo jovens agricultores, que estou a tirar no Cadaval e que me serviu de escudo por não ter entregue, mais uma vez, o trabalho de Projecto IV do meu curso a sério: Arquitectura Paisagista. É certo que ainda estamos só a 30 de Agosto, ainda não entrámos oficialmente em Setembro, mas sinto já como minha obrigação arrumar o quarto. Não é que tenha sido algum déspota a impor-me uma vontade absurda, não!…eu é que não gosto de viver no meio desta confusão! É tão pouco harmonioso, causa mal-estar, oprime a sensualidade, o erotismo e não me ajuda em nada a confiar em mim própria e arrumar o que me vai na mona! E como eu precisava de arrumar as coisas aqui em cima! O Tico e o Teco e os macaquinhos e os complexos de inferioridade e os acessos de narcisismo e a sensação de ridículo que me provocam e a impotência que sinto para ir em frente e a tristeza que sinto o tempo quase todo e a estupidez, masoquismo ou o que lá raio isto é!


Quando viro as costas ao Sol as coisas não vão nada bem! E assim hoje à tarde, apesar do fantástico dia de Verão que está, enfiei-me na cama a ler “Nas margens do rio Piedra eu sentei e chorei” (óptimo para o meu estado de espírito, devo dizer!) e a pensar como devia mudar e devia mudar e devia mudar. Lindo! Era só o que precisava! O “exercício do Outro”. Como eu queria afogar esta pessoa em que me tornei e deixar viver a criança em mim. É muito fácil perdermo-nos nas estórias de Paulo Coelho em que parece possível voltarmos a ser crianças, seguirmos os nossos sonhos e esperar que o Universo conspire a nosso favor e nos traga o pão nosso de cada dia e uma máquina digital também, claro, para podermos gravar os instantes mágicos no computador portátil! Mas e se for verdade? Se eu agora de um momento para o outro seguisse o meu sonho e abandonasse esta vida em que me suicidei. Como era bom correr o Mundo sem medo à procura… à procura do quê mesmo?... eu não tenho nenhum sonho! Não há nada que eu deseje desesperadamente, além de um ou outro bacano, de vez em quando… Estou entalada! Não tenho como fugir de mim própria!

Adiante… O meu avô pediu-me para eu ir ao Cadaval orientar as limpezas da Quinta para puder instalar-me lá nestes últimos 3 meses do curso. Mas será que ninguém percebe que eu não tenho tempo! Já tinha tantas coisas para fazer… À conta deste pedido acho que vou ter mais um dia não! (30 de Agosto de 2004 19:31)

...expressões trocadas

...o caso dos sarilhos (tradução... o cabo dos trabalhos! Note-se como consegui aplicar correctamente o o e o dos!)

200

Descíamos a recta do Ramalhão[1] a 200[2] pelo meio dos carros[3] e eu amava-o. Amava aquela sensação. E precisava dele para vivê-la. Precisava desesperadamente.


“Quando for grande quero ter uma fábrica de pastilhas elásticas” dizia-me ele com 16 anos como se ainda tivesse 5… e eu amava-o! Com 14, eu ainda não sabia que já havia chegado a altura de seguir, de nos fazermos ao caminho… Já alguns comboios tinha perdido quando comecei a descobrir.


Ao fim de 2 anos e meio ele roubava gasolina dos carros e eu achava aceitável; fechava-se no quarto com um amigo que se drogava e eu acreditava que ele não cheirasse; cheguei a saber que roubou o Arai[4] ao pai e eu mesmo assim não conseguia perceber nada! Também não percebia nada quando ele ficava a dormir em casa da Marta, com quem estava sempre aos beijinhos no pescoço e a fazer cócegas e quando ia só com ela ao 100%[5] que já foi Louvre que já tinha sido KWA!


Foi preciso muito para conseguir perceber algumas coisas. Foi preciso ele falhar muito comigo para eu começar a abrir os olhos. Foi preciso encontrar as cartas da Marta, denunciando a dupla traição: o meu namorado e a minha amiga! Aquele namorado em quem pensava dia e noite, literalmente! O meu primeiro amor! Por quem enfrentava o Mundo, o meu Mundo, que estava sabiamente contra nós. Para o encontrar percorria a noite sozinha; para o receber abria a janela do meu quarto; para o amar invadi fábricas abandonadas, descampados, antigas instalações pecuárias… O desejo que sentia tornava qualquer lugar num hotel de charme e qualquer chão na mais confortável das camas! Foi preciso muito para conseguir perceber que ele não prestava.


Agora até já se casaram. Fui lá vê-lo no outro dia, ao 31 da Armada[6] onde trabalha quase desde que acabámos, há mais de 10 anos. Estava com o meu namorado no aniversário da ex-namorada dele e resolvi ir dizer-lhe um olá (doce vingança! O destino tem destas coisas… ). Calhou ser a véspera do casamento dele com a Marta! Foi mesmo assim! Se tivesse ido lá no dia seguinte provavelmente não estaria lá! Digo provavelmente porque até admito a hipótese de o ver lá a trabalhar no dia do casamento, já que estava a trabalhar na véspera, estranho, não é? Mais a mais sendo genro do patrão (só podia ser o sogro para lhe dar trabalho… já nem o pai se mexe por ele!).


Não estava lá a Marta. Há alguns anos atrás, quando eu tive um jantar de caloiros e fui lá dar-lhe um beijinho e saber novidades, a Marta estava lá e ficou tão branca e assustada quando lhe disse “olá Marta!” que parecia que ia desfalecer e devagar, muito devagar (não fosse eu perceber!), virou-se e subiu as escadas do fundo. Desta vez estavam lá a Marina e a Mariana, as irmãs dele, que eu confesso que gostei muito mais de ver apesar de ainda ter as minhas contas a acertar com a Marta! Um dia ainda a apanho… ”desArmada”[7]… e quando esse dia chegar vou poder finalmente encerrar esta estória… vou poder finalmente agradecer-lhe! (4 de Agosto de 2004 13:03)

[1] À saída de Sintra para o Estoril ou Cascais.
[2] 200 Km/h.
[3] Íamos de mota!
[4] É triste, mas tive de acrescentar mais esta legenda “a pedido de várias famílias”. Arai é uma das melhores marcas de capacetes. Quando se diz “o Arai” quer-se dizer “o capacete de marca Arai”. Bolas que é preciso explicar tudo!
[5] Antiga discoteca por baixo do antigo Hotel Paris, no Estoril (estou antiga!).
[6] Em Alcântara, bar de um lado, onde ele trabalhava, restaurante de outro, onde eu jantava.
[7] É um trocadilho… desarmada assim como quem diz sozinha, sem estar ali no 31 da Armada!